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Quinta - 27 de Agosto de 2026 às 07:18
Por: Joanice de Deus/Diário de Cuiabá

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Lixo acumulando nas ruas de Cuiabá com a greve dos garis
Lixo acumulando nas ruas de Cuiabá com a greve dos garis

A paralisação dos garis da Locar Saneamento Ambiental reduziu a coleta domiciliar de lixo a cerca de 30% da operação em Cuiabá e provocou acúmulo de resíduos em diferentes regiões da cidade nesta quarta-feira (26). Os trabalhadores cruzaram os braços na noite de terça-feira (25) e, pela manhã, a maioria permanecia mobilizada, impedindo a saída de parte dos caminhões.

Entre os bairros afetados estavam Pascoal Ramos, Santa Terezinha, Parque Atalaia, Parque Cuiabá, Pedra 90 e Altos do Boa Vista. Sacos de lixo permaneceram em calçadas e lixeiras após as rotas deixarem de ser cumpridas normalmente.

INFO greve garis lixo

A Locar, responsável pela coleta domiciliar na Capital, confirmou que apenas 30% da frota estava operando e informou que buscava restabelecer o serviço. A empresa também aguardava uma decisão da Justiça do Trabalho para tentar garantir a retomada das atividades.

Enquanto durar a paralisação, a operação reduzida prioriza locais considerados essenciais, entre eles escolas e unidades de saúde.

O impacto potencial da greve é elevado. Cuiabá gera diariamente entre 600 e 700 toneladas de resíduos que precisam ser recolhidos. Caso o índice de 30% corresponda proporcionalmente ao volume coletado, entre 420 e 490 toneladas por dia podem deixar de ser retiradas das ruas enquanto a operação permanecer nesse nível.

Impasse agora é estabilidade - A paralisação é resultado de uma mobilização iniciada no começo de agosto. Garis e motoristas apresentaram uma pauta com pelo menos 15 reivindicações relacionadas a salários, benefícios e condições de trabalho.

Entre as reclamações apresentadas pelos trabalhadores estavam atrasos no pagamento de férias e nos depósitos do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS), jornadas consideradas excessivas e redução do número de trabalhadores nas equipes de coleta.

No dia 10 de agosto, a categoria já havia realizado uma primeira paralisação. Na ocasião, a interrupção durou cerca de duas horas e o serviço foi retomado.

Desde então, trabalhadores e empresa negociaram parte das reivindicações.

Segundo a Locar, a maioria dos pontos foi atendida ou começou a ser implementada. Entre os benefícios acertados estão vale-lanche de R$ 180 mensais, vale-alimentação de R$ 1,1 mil e vale-combustível para os coletores.

A empresa informa ainda que concedeu, em fevereiro, reajuste salarial de 7,89%. Com isso, o salário-base passou para R$ 1.903,13, além do adicional de insalubridade de 40%.

Apesar dos avanços, um ponto mantém o impasse: a reivindicação de estabilidade no emprego por um ano para oito integrantes da comissão de trabalhadores que participou das negociações.

Categoria mantém 30% - O representante da categoria, Wanderson Vander Maciel, afirma que a paralisação respeita a manutenção de 30% da atividade.

“O nosso movimento está tudo correto, garantido por lei. O acordado é manter 30% do serviço na rua e a pauta é por direito nosso. Eles assinaram a pauta, entraram em um acordo com a gente, mas a estabilidade da comissão, eles não assinaram”, afirmou.

A Locar apresenta versão diferente sobre esse ponto. A empresa sustenta que a reivindicação de estabilidade por 12 meses para os oito representantes foi apresentada somente depois da rodada de negociação.

A terceirizada afirma ainda que não cogitou demitir os trabalhadores envolvidos na mobilização.

Em nota, reiterou o compromisso com o cumprimento das obrigações trabalhistas, “inclusive aquelas relacionadas ao FGTS e às férias”, e diferenciou essas obrigações dos benefícios adicionais discutidos durante as negociações.

Justiça entra na negociação - Com a continuidade da paralisação, a disputa chegou à Justiça do Trabalho. A Locar recorreu ao Judiciário para mediar o conflito e aguardava uma liminar relacionada à manutenção do serviço.

A Prefeitura de Cuiabá acompanha o impasse por meio da Empresa Cuiabana de Limpeza Urbana (Limpurb). Segundo o município, a situação está sendo monitorada enquanto prosseguem as negociações entre a terceirizada e os trabalhadores.

A duração da paralisação passa a ser determinante para o impacto sobre a cidade. Com centenas de toneladas de resíduos produzidas diariamente e apenas uma parcela da frota nas ruas, o lixo não recolhido tende a se acumular rapidamente caso não haja acordo.

O conflito chega agora a uma etapa em que grande parte da pauta econômica já foi negociada, mas a garantia de emprego aos integrantes da comissão mantém trabalhadores e empresa em posições divergentes. Enquanto o impasse não for resolvido, Cuiabá permanece com a coleta domiciliar operando de forma reduzida.





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