Clima e custos devem guiar decisões para próxima safra de milho Produtor busca conciliar rentabilidade e estabilidade, diante da irregularidade das chuvas; estratégia passa por preservar potencial produtivo
O planejamento da próxima safra de milho deve ser marcado por uma equação cada vez mais complexa no campo: produzir com custos controlados e, ao mesmo tempo, preparar a lavoura para suportar condições climáticas adversas.
Se preços e rentabilidade continuam determinantes para a tomada de decisão, a capacidade da cultura de resistir a períodos de falta de chuva e temperaturas elevadas ganhou importância na definição do manejo.
A mudança é reflexo da crescente variabilidade climática observada nas regiões produtoras.
Na última safra, diferenças na distribuição das chuvas e na intensidade dos períodos de estresse resultaram em produtividades distintas não apenas entre regiões, mas até entre propriedades próximas.
Para o diretor de marketing e produtos do setor Felipe Sulzbach, os resultados reforçam que o planejamento não pode considerar somente o potencial máximo de produtividade em condições favoráveis.
“Isso reforça a percepção de que não basta apenas buscar altas produtividades em cenários ideais, mas também construir estabilidade de produção diante das oscilações climáticas”, afirma.
A consequência é uma mudança na estratégia adotada para a cultura.
O produtor passa a avaliar, além do potencial produtivo, a capacidade da lavoura de atravessar períodos desfavoráveis sem sofrer perdas que comprometam o resultado econômico da safra.
Segundo Sulzbach, cresce a procura por estratégias que aumentem a resiliência das plantas e reduzam a vulnerabilidade a eventos climáticos adversos desde as primeiras fases de desenvolvimento.
O objetivo é encontrar um equilíbrio entre produtividade e estabilidade.
Em vez de estruturar todo o manejo para obter o maior rendimento possível em condições ideais, o produtor também considera como preservar parte desse potencial quando chuva e temperatura não se comportam como esperado.
CUSTO NÃO PODE SER ANALISADO ISOLADAMENTE - O desafio climático ocorre em um momento no qual o custo de implantação das lavouras permanece no centro das decisões.
Sementes, fertilizantes, defensivos e operações de campo exigem investimentos elevados e aumentam a pressão pela utilização eficiente dos recursos.
A busca por economia, entretanto, não significa simplesmente cortar insumos.
Sulzbach alerta que uma redução indiscriminada dos investimentos pode produzir efeito contrário ao pretendido, comprometendo o potencial da cultura e, consequentemente, a rentabilidade.
“Em muitos casos, o retorno do investimento não depende apenas do volume de insumos aplicados, mas da capacidade da planta de expressar todo o seu potencial genético, mesmo quando submetida a condições de estresse”, observa.
A preocupação passa a ser, portanto, quanto cada real aplicado na lavoura consegue efetivamente retornar ao produtor.
É nesse cenário que aumenta o interesse por tecnologias destinadas a melhorar a resposta fisiológica das plantas às adversidades.
A proposta é preservar por mais tempo a atividade da cultura diante de situações desfavoráveis e, dessa maneira, proteger também os investimentos realizados durante o ciclo.
“Não se trata apenas de aumentar a produtividade, mas de proteger o retorno econômico dos recursos investidos pelo produtor”, afirma Sulzbach.
MILHO - Na cultura do milho, períodos de déficit hídrico e temperaturas elevadas podem interferir diretamente no metabolismo e no desenvolvimento das plantas.
A intensidade dos efeitos, entretanto, depende do momento em que o estresse ocorre, das condições de cada região e do manejo empregado na propriedade.
Segundo Sulzbach, resultados obtidos na última safra indicam que tecnologias destinadas a aumentar a capacidade de adaptação das plantas apresentaram respostas mais perceptíveis justamente em ambientes submetidos a maior adversidade.
Isso não significa, porém, que os ganhos sejam uniformes.
O desempenho varia conforme a intensidade e a duração do estresse, as características climáticas da região, o potencial produtivo da área e o manejo adotado. Em condições mais favoráveis, os resultados adicionais podem ser menores.
Quando a lavoura enfrenta maior pressão climática, a contribuição para preservar o rendimento tende a ganhar importância.
Para o especialista, esse comportamento também muda a forma de avaliar o resultado da tecnologia.
Mais do que buscar um ganho isolado de produtividade em determinada safra, o produtor passa a considerar a estabilidade da produção ao longo de diferentes ciclos.
“Em um cenário de crescente variabilidade climática, essa capacidade de reduzir perdas e proteger o potencial da lavoura torna-se um diferencial importante para a sustentabilidade econômica da produção de milho”, conclui.

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