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Comportamento
Sexta - 04 de Junho de 2010 às 01:46
Por: Camila Neumam

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A pessoa que vê pornografia demais começa a relaxar em outras áreas de vida, nos compromissos e no trabalho
A pessoa que vê pornografia demais começa a relaxar em outras áreas de vida, nos compromissos e no trabalho
Ficar muito tempo vendo pornografia pode significar mais do que uma predileção por sexo, mas um transtorno compulsivo. Passar madrugadas adentro vendo sites, acessá-los no trabalho e preferir o sexo virtual ao real são sintomas do descontrole. Segundo os especialistas consultados pelo R7, o “vício em pornografia” pode atrapalhar o ato “de verdade” e afetar em cheio a vida profissional e social.

 

É o exemplo do estudante de direito Jorge (nome fictício), de 20 anos, que tem dificuldades para fazer os trabalhos da faculdade quando está sozinho em casa, porque passa mais tempo vendo pornografia do que estudando. Apesar do silêncio, ele não consegue se concentrar nas tarefas, já que a vontade de assistir a vídeos pornográficos na internet é constante. O que acaba acontecendo é o rapaz se masturbar vendo esse tipo de conteúdo, ficar cansado e perder o interesse no trabalho.

– Algo que eu demoraria uma hora para fazer acaba levando três porque eu tenho de fazer intervalos para entrar nos sites.

Segundo Marco Scanavino, psiquiatra do Prosex (Programa de Estudo em Sexualidade do Instituito de Psiquiatria do Hosiptal das Clínicas de São Paulo), este tipo de comportamento se torna compulsivo a medida que vai aumentando e fazendo a pessoa se desconcentrar do resto que a cerca. 

– A pessoa começa a relaxar em outras áreas de vida, nos compromissos e no trabalho. Começa a ficar ausente nos relacionamentos e nas próprias ocasiões sexuais para ficar na internet vendo pornografia.

 

Exatamente o que acontece com Jorge. Na hora de fazer sexo "de verdade", ele sente um certo desinteresse.

– No começo é até legal, mas em poucos minutos a coisa acaba ficando menos interessante. A impressão que dá é que é mais divertido fazer sozinho mesmo. Fora que você sempre tem em mente que vai transar com uma estrela pornô, o que é quase impossível, e fica com os padrões altos demais na hora de escolher uma mulher.

Perigo à vista

A compulsão pode ainda ter um caráter perigoso dependendo do estilo de pornografia escolhido, segundo o psiquiatra Alexandre Saadeh, especialista em sexualidade no Instituto de Psiquiatria da USP (Universidade de São Paulo). 

– Quando a pornografia se refere a comportamentos envolvendo objetos sexuais incomuns, proibidos, crianças, animais, pode-se caracterizar um transtorno de preferência sexual mais conhecido como parafilia.

Para Saadeh, se o comportamento parecer “uma prisão” é hora de procurar ajuda médica. 

– Caracteriza dependência quando o desejo sai do controle e aí passa a controlar a vida da pessoa. Ele/ela se sente subjugado pelo desejo de acessar, muitas vezes ao dia, o site de preferência, ou mesmo os sites que gosta. É quase que uma perda de espontaneidade. Vira uma prisão.

Tratamento

De acordo com a psicóloga Cida Lessa, especialista em sexualidade humana, o tratamento do “vício em pornografia” tem duas frentes: psiquiátrica, com base em medicamentos para diminuir a ansiedade e a libido e, psicológica, com orientação de psicólogos que ajudarão a entender a origem do problema.

O primeiro passo para se tratar, segundo a psicóloga, é admitir a condição e depois aceitar tomar remédios que vão tirar a vontade de ter prazer a todo momento.

- É complicado admitir porque se tem vergonha, e quem consegue faz em silêncio para não se expor. No entanto, muitos não querem tomar os remédios para não mexer na libido.

Segundo a psicóloga, não há causas específicas para o problema, mas a educação machista pode ser um fator de influência. Tanto que a compulsão é muito mais comum em homens do que em mulheres.

- Como o homem tem mais acesso a conteúdo pornográfico desde criança, o que pode ser curiosidade no começo vai se fixando e aumentando.

Com moderação

Se o consumo de material pornô não beirar ao excesso, não há o que se preocupar, segundo Scanavino. Ao contrário, ele pode ajudar a apimentar a vida sexual.

- Se não for exagerado, pode dar um estímulo ao sexo. Não raro, casais usam o material pornográfico para ter relações a partir do filme.





Fonte: do R7

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