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Saúde
Terça - 25 de Maio de 2010 às 14:57

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No mês em que se comemora o Dia Mundial Sem Tabaco (31 de maio), a cidade de Cuiabá sediará na quarta-feira, dia 26, um simpósio de atualização médica em doenças pulmonares. Cerca de 40 especialistas convidados participarão da palestra sobre “O papel do tratamento adequado da pneumonia adquirida na comunidade e da exacerbação da DPOC no idoso”. O evento, que conta com o apoio da Bayer Schering Pharma, acontece no Hotel Deville, localizado na Avenida Isaac Povoas, 1000 – Centro, às 20h00. A iniciativa tem como objetivo apresentar aos médicos as últimas novidades para o tratamento de doenças pulmonares como pneumonia e DPOC (doença pulmonar obstrutiva crônica), além de debater a prescrição adequada de antibióticos, de acordo com o perfil da doença e do paciente.

Neste contexto, o pneumologista José Jardim, professor livre docente da Faculdade de Medicina da UNIFESP e palestrante do evento, faz um alerta a população sobre os males do tabaco ao pulmão e comenta as principais doenças que afetam os fumantes.


1.  Quais são as principais doenças pulmonares que o fumante pode desenvolver?

Dr. José Jardim – O cigarro é uma das principais causas dos problemas respiratórios, pois é o responsável pelo desenvolvimento de doenças pulmonares como câncer, enfisema, bronquite, doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC) e infecções. Em 95% dos casos de tabagismo, as lesões no tecido pulmonar causadas pelo cigarro são irreversíveis, mesmo que a pessoa tenha parado de fumar há muitos anos.


2.  A proibição do consumo de cigarro em locais públicos beneficia, de fato, os fumantes?

Dr. José Jardim – Sim, a proibição do cigarro em locais públicos é um fator que pode contribuir com a diminuição do número de fumantes, pois 60% das pessoas que consomem o tabaco não são dependentes e a inibição pode ajudá-los a abandonar este hábito.

 
3.  O que é DPOC e quais as suas consequências?

Dr. José Jardim - A DPOC engloba a bronquite crônica e o enfisema pulmonar, trata-se de uma doença de evolução progressiva que se desenvolve após a exposição prolongada dos brônquios (estrutura que leva o ar para dentro dos pulmões) às substâncias tóxicas contidas na fumaça inalada do cigarro. Como consequência, ocorre a inflamação brônquica (inchaço e aumento da produção de catarro nos brônquios) e a destruição dos alvéolos do pulmão (pequena estrutura responsável pela troca gasosa). O cigarro é responsável por 90% dos casos de DPOC, doença que atinge mais de sete milhões de brasileiros. Entre 20% e 30% dos fumantes desenvolvem a DPOC após os 40 anos, sendo que alguns estudos sugerem que as mulheres são mais susceptíveis aos efeitos maléficos do cigarro do que os homens.

 
4.  Quais são os principais sintomas da DPOC?

Dr. José Jardim - Os principais sintomas da DPOC são tosse crônica, produção de catarro e falta de ar, principalmente quando a pessoa faz algum esforço físico. Normalmente, os sintomas aparecem de maneira lenta e progressiva, sendo comum o paciente somente dar atenção ao problema quando o quadro piora. A falta de ar (dispneia) é o sintoma que mais provoca limitações ao paciente. Nas fases mais avançadas da doença, o paciente tem dificuldade para realizar atividades simples como tomar banho, trocar de roupa e fazer caminhadas curtas.

 
5.  Quais são os estádios da DPOC?

Dr. José Jardim - A DPOC possui quatro estádios (leve, moderado, grave e muito grave) e as crises respiratórias (denominadas clinicamente como exacerbações da doença pulmonar obstrutiva crônica) são causadas geralmente por infecções bacterianas ou virais. Nesse período, os pacientes sentem piora da falta de ar, fadiga, aumento da tosse crônica e da produção de catarro. O estudo GIANT (Greatest International Antibiotic Trial) comprovou os benefícios do antibiótico moxifloxacino (Avalox®, da Bayer Schering Pharma) nas crises respiratórias infecciosas. Com o uso do medicamento, 70% dos pacientes tiveram rápida recuperação e melhora dos sintomas em até três dias. Esse índice aumentou para 98% em até cinco dias. O tratamento reduziu para 4,4 dias o impacto da exacerbação no cotidiano dos pacientes e os distúrbios do sono para 2,7 noites.

 
6.  O fumante tem mais facilidade para desenvolver pneumonia?

Dr. José Jardim – A pneumonia é uma infecção que acomete os pulmões, mais especificamente os alvéolos (onde ocorre a troca gasosa), que se enchem de muco e outros líquidos, o que impede o seu funcionamento adequado. O fumante tem mais facilidade em ser infectado por bactérias e vírus que atingem os pulmões e com isso, desenvolver a pneumonia. Esta facilidade é explicada pelo aumento da produção de muco nos pulmões do fumante, uma reação do organismo contra as substâncias contidas no cigarro, que o torna mais suscetível à pneumonia, principalmente a de tipo bacteriana, caso ocorra uma diminuição da defesa imunológica.

 
7.  Quais são os principais sintomas da pneumonia?

Dr. José Jardim - Os principais sinais e sintomas da pneumonia são febre alta, tosse com secreção, dor no tórax, alterações da pressão arterial, mal-estar, falta de ar e respiração ofegante, prostração, suor intenso, calafrio, tremores e falta de apetite.

 
8.  Quais são os principais fatores de risco para pneumonia?

Dr. José Jardim - Os principais fatores de risco para o desenvolvimento da doença são gripes, resfriados, doenças alérgicas, alterações bruscas da temperatura e da umidade do ar, grande concentração de pessoas em ambientes fechados com circulação de ar prejudicada, além do consumo excessivo de álcool e do fumo.






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