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Economia
Segunda - 22 de Março de 2010 às 09:19
Por: Vívian Lessa

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Omar Canavarros, do Convention & Visitors Bureau, diz que entidade está captando eventos
Omar Canavarros, do Convention & Visitors Bureau, diz que entidade está captando eventos

A capacidade da rede hoteleira de Cuiabá estará ociosa em até 86% em 2014, ano em que a Copa do Mundo será realizada no Brasil e a Capital mato-grossense será uma das sedes dos jogos. A ociosidade é decorrente dos investimentos do setor programados para os próximos 4 anos, que fará com que a taxa de ocupação nos hotéis reduza dos atuais 36% para apenas 14%. Os dados constam em relatório elaborado pelo Fórum de Operadores Hoteleiros do Brasil (Fohb), e divulgados pelo presidente da entidade, Rafael Guaspari, durante apresentação Panrotas (evento do segmento do Turismo), realizado na última segunda e terça-feira (15 e 16), em São Paulo.

Segundo Guaspari, até a data de realização dos jogos esportivos, "os hotéis de Cuiabá e região acabariam quebrando por falta de público". Ele aponta também que, entre as capitais brasileiras que serão sede do evento, além de Cuiabá, Manaus apresenta sérios problemas com o setor hoteleiro. Porém, ele pondera que, para não haver um caos no setor, é preciso que o Estado desacelere os investimentos. É importante também destinar recursos para melhorar a infraestrutura de recepção aos turistas.

De acordo com o levantamento do Fohb, Cuiabá oferece atualmente 2,560 mil leitos, com previsão de aumentar para 8,654 mil acomodações até 2014, sendo 753 novas ofertas na própria cidade. Além disso, é previsto aumento de 2,133 mil leitos em um raio de 150 km da capital mato-grossense, abrangendo os municípios de Chapada dos Guimarães (92 leitos), Poconé (283), Nobres (30), Barão de Melgaço (40) e Jaciara (49). Para oferta de leitos em prol a Copa, Cuiabá conta com as cidades de apoio como Rondonópolis (249 leitos), Primavera do Leste (67), Cáceres (109), Nova Mutum (76) e Tangará da Serra (85), somando 865 acomodações.

A retração de investimentos na rede hoteleira mato-grossense também é uma avaliada pelo ministro do Turismo (MTur), Luiz Barretto, como forma de conter os prejuízos para o setor pós Copa do Mundo. De acordo com ele, uma solução para o Estado seria investir em acomodações que poderiam ser usadas como moradia após o evento esportivo. O ministro também enfatiza a ideia de o governo estadual utilizar as universidades e casas já construídas para receber os turistas.

Porém, para o presidente do Sindicato dos Hotéis, Restaurantes, Bares e Similares de Mato Grosso, Luiz Carlos Nigro, os problemas de ocupação na rede hoteleira acabariam se os investimentos fossem direcionados também ao turismo de lazer e, portanto, à atração de mais visitantes, que poderiam manter a taxa de ocupação mesmo após 2014. "Conhecendo as potencialidades do Estado, os turistas certamente retornariam à região", destaca ele que apontar para a falta de infraestrutura do setor turístico de Mato Grosso. Segundo Nigro, para pagar as despesas básicas de um hotel, a taxa de ocupação mensal tem de ser entre 45% e 50%, abaixo disso é prejuízo.

"Ainda não traçamos nenhum método para inibir esses investimentos exacerbados". O sindicato mostra um outro levantamento que pouco se difere do realizado pelo Fohb. Os dados apontam que 11 novos hotéis serão somados à lista de 107 já existentes entre Cuiabá e Várzea Grande. Outros 5 estão em ampliação e somarão 262 novos apartamentos com a capacidade de acomodação de mais 534 pessoas. No total, a previsão é que chegue a 5,881 mil apartamentos disponíveis nas duas cidades, sendo capaz de acomodar 14,558 mil visitantes.

Investindo alto- Segundo Nigro, considerando o valor médio de R$ 100 mil aplicado em cada apartamento, o aporte financeiro está estimado em R$ 145 milhões, somente com a construção dos novos hotéis. Somente o empresário Renato De Paiva Pereira, do hotel Odara, está investindo R$ 20 milhões na construção do primeiro hotel 5 estrelas de Mato Grosso. Ele aposta no aumento no movimento de pessoas na região. Apesar disso, revela que falta incentivo ao turismo de negócios. "Os eventos de negócios movimentam a cidade. Cerca de 95% dos turistas que chegam ao Estado vêm para algum congresso ou outro evento". Para ele, a atração de pessoas para a modalidade de turismo é mais fácil de acontecer do que se depender da evolução do turismo convencional, que inclui belezas naturais, apesar de Mato Grosso contar com o Pantanal, Chapada dos Guimarães, entre outros destinos já consolidados.

Sobre esse assunto, o superintendente executivo do Convention & Visitors Bureau de Cuiabá, Omar Lins Canavarros, assegura que as ações voltadas para atender o turismo de negócios estão caminhando bem. Ele destaca que para este ano já estão agendados 18 eventos com capacidade de atração de cerca de 20 mil convidados. No ano passado, segundo ele, foram realizados 32 eventos captados pela entidade. Ao todo, cerca de 30 mil pessoas passaram por Cuiabá com a realização desses encontros.

Canavarros aponta ainda que, para 2011 já estão previstos congressos que juntos devem reunir pelo menos 5 mil pessoas. A atração de eventos, explica, é necessária para movimentar dinheiro novo na região. Conforme o representante do Convention, o turista fica em média 3 a 4 dias em Mato Grosso, gastando cerca de R$ 1 mil. "Se vierem 30 mil turistas, são R$ 30 milhões a mais na economia mato-grossense". Mas para isso, ele avalia que ainda falta divulgação do Estado por parte do poder público. "A iniciativa privada tem feito sua parte", garante Canavarros.

Empregos - A construção dos novos hotéis em Cuiabá e Várzea Grande deve aumentar o número de empregos gerados no Estado. Segundo dados do Sindicato dos Hotéis, Restaurantes, Bares e Similares de Mato Grosso, serão mais 793 postos de trabalho adicionados ainda este ano, além dos 1,750 mil empregos indiretos já existentes no setor. Mas o presidente da Associação Brasileira de Agências de Viagens de Mato Grosso (Abav-MT), Nilson Marques de Freitas, destaca que falta capacitação desses profissionais. Para ele, o investimento na infraestrutura da região e na preparação da mão-de-obra são requisitos fundamentais para chamar a atenção do turista. "Com condições melhores o visitante sempre retorna".

Corredor rodoviário - Outra alternativa para atrair turistas a Mato Grosso está na finalização do Corredor Rodoviário Bioceânico que liga as cidades de Cuiabá (passando por Cáceres) às cidades chilenas Cochabamba, Arica e Iquique, percorrendo aproximadamente 3 mil km. Além disso, a rodovia irá interligar Cuiabá com as cidades Ilo, Matarani, no Peru. A afirmação é do ministro do Turismo (MTur), Luiz Barretto. Segundo ele, a pavimentação no trecho brasileiro está concluída, com boas condições de trafegabilidade. Já a parte boliviana está em fase de implantação/construção, "porém o governo boliviano não deu previsão de conclusão das obras".





Fonte: A Gazeta

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