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Saúde
Quinta - 11 de Fevereiro de 2010 às 05:22
Por: Renê Dióz

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Os primeiros dez dias de fevereiro significaram um aumento de 3.457 casos registrados de dengue em Mato Grosso, o que elevou o número total de notificações para 12.666. É um crescimento de 37,5% em relação à última soma dos casos por parte da Secretaria de Estado de Saúde (SES), referente ao mês de janeiro inteiro. Na Capital, onde a dengue definitivamente embarcou na onda de crescimento intenso de todo o Estado, houve aumento de 63,7% nos casos.

Junto ao número de notificações gerais em Mato Grosso, os casos graves da doença também experimentaram aumento – de 264, saltaram para 344, aproximadamente 30% a mais. E praticamente todos os números do comportamento da dengue apontados no balanço de ontem indicam aumento. Exemplo grave disso é o índice de óbitos notificados por decorrência da doença. O Estado já conta 16 casos, cinco a mais que em janeiro. Entretanto, nenhuma destas novas mortes chegou a ser investigada e até o momento Mato Grosso continua com as mesmas cinco confirmações (duas em Rondonópolis e as demais em Várzea Grande, Diamantino e Sinop).

Em Cuiabá, segundo a SES, há apenas uma morte investigada por dengue, mas a cidade também viu seus números aumentarem – as notificações saltaram de 805 para 1.318. O município deve divulgar seus números oficiais hoje, mas a situação dispensa até mesmo olhares especializados, evidente que está a presença do Aedes aegypti: setores distintos da cidade dão sinais que sugerem atuação constante do poder público, dos bairros de menor aos de maior poder aquisitivo.

Assim como no bairro Alvorada, onde nesta terça-feira a prefeitura mandou demolir uma casa que havia se tornado um grande criadouro do mosquito da dengue, em bairros de famílias de maior poder aquisitivo como Jardim Califórnia e Shangri-Lá, casos semelhantes revoltam.

“A coceira parece uma sarna. A dor no corpo é tanta que esses dias eu faço café correndo e vou deitar”, relata a moradora Magda Maria Ribeiro Bernardes, 52 anos, há 27 morando no Jardim Califórnia e há mais de 15 dias com dengue. Onde o mosquito a picou ela não sabe, mas reclama das diversas casas abandonadas no bairro que estão servindo para assolar as abastadas famílias da região com criadouros do mosquito da dengue. Na frente da casa de Magda, há uma dessas. Posta para alugar desde o Natal passado, está praticamente abandonada. “A piscina deve estar até verde”, cogita Magda sobre o que deve estar sendo agora um senhor criadouro do Aedes aegypti; mais uma entre tantas casas com piscina deixadas ao léu nas cercanias. Magda diz que sempre recebe os agentes que realizam o bloqueio da dengue nas casas e que já ouviu um deles confidenciar que “não estão dando conta”.

Já Cladis Brólio, 46 anos e moradora do Shangri-Lá, observa que quase não adianta tomar todo o cuidado com criadouros em casa diante de tanto imóvel com piscina abandonada na vizinhança. Ela diz que, ao contrário de muitos moradores no ano passado, nunca recusou a visita dos agentes da dengue, um problema significativo no trabalho de combate à doença num bairro de infestação larval do mosquito igual a 7,2, segundo o último cálculo. A do Alvorada, verificada esta semana, é de 1,4 (acima de 3,9, a situação é considerada grave).






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