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Cidades/Geral
Quarta - 16 de Maio de 2007 às 19:51

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Após receber denúncia sobre tortura contra sem-terra por policiais militares, o governador de Mato Grosso, Blairo Maggi (PR), demitiu hoje o comandante geral da PM, coronel Adaildon Evaristo de Moraes Costa. Maggi disse estar "envergonhado" devido ao episódio.

A "ação violenta da PM", como definiu o governador, ocorreu em uma área de conflito agrário ao norte do Estado, próximo ao Tocantins, onde estão acampadas cerca de cem famílias. Ao menos 30 policiais militares participaram da ação, que começou no dia 7 de abril e terminou 15 dias depois.

Também foram demitidos os comandantes regional de Barra do Garças, coronel Luiz Cláudio Monteiro da Silva, e de policiamento de Vila Rica, major Jorge Tadeu Firme.

No fim da tarde de ontem, Maggi foi de avião ao local do conflito, a mais de mil km de Cuiabá.

Maggi ouviu "relatos sobre agressões". "Contaram que [os policiais] amarravam [pessoas] com fita na boca, que deram pontapés. Queimaram barracos [casas]. Chegaram a falar sobre indícios de torturas", afirmou o secretário estadual da Comunicação Social, José Carlos Dias.

Via assessoria, o ex-comandante da PM informou que não daria entrevista. Os outros dois comandantes não foram localizados.

A Secretaria de Comunicação Social já adiantara ontem que Maggi foi ao local conversar com trabalhadores que "denunciaram crimes de torturas e cárcere privado".

Além do depoimento das pessoas agredidas, Maggi dispõe de um relatório do serviço de inteligência da PM que apontava as agressões.

As denúncias dos sem-terra chegaram à Assembléia Legislativa no início de maio. "Fiquei preso por mais de vinte quatro horas só apanhando e algemado", disse José Libério Filho, segundo relato da Assembléia que tipificou o caso como "crime de tortura".

Os policias militares tinham ordem judicial para fazer busca e apreensão, atrás de armas e drogas, em três fazendas e no acampamento de sem-terra. A área é palco de conflito pela posse da terra.

Foram apreendidas 12 armas, 480 gramas de maconha e 212 relógios de contrabando. Duas pessoas, que tinham mandados de prisão, acabaram presas.

Mas, por conta própria e há suspeita de que por dinheiro, os policiais resolveram expulsar as famílias acampadas e queimaram até os barracos, disse o secretário estadual da Justiça e da Segurança Pública, Carlos Brito.

"Eles dependuraram gente amarrada em árvores, chutaram, espancaram, queimaram os barracos", afirmou o presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de São Félix do Araguaia, Divino de Andrade.

Brito disse que, a partir do relatório do serviço de inteligência da PM, foram abertas investigações para punições administrativas e criminais.




Fonte: Agência Folha

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