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Cidades/Geral
Segunda - 24 de Abril de 2006 às 07:48
Por: Natacha Wogel

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Uma investigação sigilosa da Polícia Civil apura o envolvimento de servidores públicos no crime de falsificação de certificados da Escola de Governo do Estado para a promoção na carreira e a conseqüente elevação no salário. A emissão dos certificados teria ocorrido entre 2004 e 2005, beneficiando pelo menos 11 funcionários de diversos órgãos, conforme um depoimento sigiloso ao qual o Diário teve acesso. Além da Delegacia Fazendária, também investigam o caso o Ministério Público Estadual e uma comissão de sindicância presidida por um procurador do Estado.

O diretor da Escola de Governo, Almir Balieiro, confirmou à reportagem que os certificados, de fato, não foram emitidos pelo órgão. Ele explicou que cada um dos certificados da Escola recebe um registro único, com um número, que pertence especificamente àquele documento. “Os números de registro chegaram e não bateram com os que estavam no livro, o que mostra que os documentos não foram emitidos pela Escola de Governo”, declarou.

De acordo com o depoimento, um funcionário da Secretaria de Estado de Turismo (Sedtur) conseguia confeccionar e imprimir certificados da Escola de Governo no computador que usava em seu local de trabalho. “O depoente relata que viu com seus próprios olhos os certificados falsos serem confeccionados pelo servidor, o qual utilizava dos equipamentos de informática, dentre eles um disquete e um CD, como ferramentas de falsificação de certificados; que isto era realizado sempre na hora do almoço, porém o depoente não sabe dizer para quem os certificados eram confeccionados, não sabendo declinar se eram vendidos ou a título gratuito”, consta no depoimento.

A testemunha da falsificação denunciou o fato à Promotoria de Justiça por telefone. Na queixa, ele também afirma que algumas das pessoas que tiveram promoções publicadas no Diário Oficial freqüentaram, dias antes, a sala de quem confeccionava os certificados. “Que o depoente chegou à conclusão que alguns dos nomes das pessoas que constavam da publicação das promoções no Diário Oficial seriam os supostos beneficiários dos certificados falsos”, relata o depoimento.

O delegado responsável pelo inquérito, Rogério Modelli, apenas pôde confirmar a existência do inquérito, mas não forneceu qualquer detalhe. A promotora de Justiça encarregada, Ana Cristina Bardusco Silva, também não quis falar sobre o assunto. Através de sua assessoria de imprensa, a secretária de Turismo do Estado, Yêda Marli de Oliveira Assis, informou que assim que tomou conhecimento dos fatos solicitou a abertura de uma sindicância à Procuradoria Geral do Estado. De acordo com o procurador geral, João Virgílio, que falou em nome do procurador Fábio Turchiari, encarregado da tarefa, nenhuma informação pode ser divulgada sobre o caso até que a sindicância esteja concluída.





Fonte: Diário de Cuiabá

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