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Cidades/Geral
Domingo - 22 de Janeiro de 2006 às 12:00

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Autoridades, representantes de entidades e produtores rurais saíram pessimistas da reunião realizada na última sexta-feira para discutir a pavimentação da BR-163. O vice-presidente da Câmara Municipal de Sorriso, Santinho Salerno, não acredita no início das obras em 2005. “Acho muito difícil por causa da falta de apoio político, principalmente da nossa bancada federal que, em momento algum, se envolveu nos debates sobre o Plano de Desenvolvimento Sustentável da BR-163”, lamenta o vereador.

Júlio Miragaia, do Ministério da Integração Nacional, membro do Grupo de Trabalho Interministerial da BR-163 e coordenador do Plano de Desenvolvimento da rodovia, afirma que se não acontecer uma pressão política contra o Governo Federal para o início imediato da obra, a rodovia poderá perder importância para a BR-158, na região do Araguaia. “Há interesses muito fortes de políticos, empresários, produtores rurais e pecuaristas do Leste de Mato Grosso pela pavimentação da 158 até Santarém. Se isso acontecer, adeus Cuiabá-Santarém”.

O prefeito de Sorriso, Dilceu Rossato, também não acredita no início da pavimentação em 2006. Para ele, o excesso de burocracia e a falta de vontade política verão atrasar o início da obra. “Para mim, a obra não terá início nem mesmo em 2007”.

A presidente da Câmara de Vereadores de Lucas do Rio Verde, Marli Heldt Ventura, não esconde a sua decepção com o atraso no início da pavimentação da 163. “Isso é uma vergonha. Enquanto essa obra não começa a nossa região fica relegada ao isolamento e os municípios e seus produtores e empresários se perdem em meio ao prejuízo. Está na hora de os nossos políticos se mexerem em Brasília para liberar a obra”, desabafa.

Jorge Antonio Baldo, presidente do Comitê pelo Desenvolvimento Regional para a Conclusão da 163, defende que, para evitar perda de tempo com licitações e outras burocracias, a obra seja repassada ao Exército . “O 9º BEC (Batalhão de Engenharia da Construção) de Cuiabá tem condições legais para iniciar o asfalto imediatamente nos trechos mais difíceis. Basta apenas que o Governo Federal libere os recursos”, sugere.

O presidente do Conselho de Desenvolvimento do Norte de Mato Grosso (Codenorte), Clayton Teodoro Carvalho, é uma das lideranças mais pessimistas. “Vejo que há muitos entraves, falta de interesse do Governo do Estado e da nossa bancada federal. E se a obra não começar neste governo, o início das obras na 163 ficará mais difícil a partir de 2007”. A conclusão dos aproximadamente 784 quilômetros entre Guarantã do Norte até Santarém, transformaria a BR-163 em um importante eixo de desenvolvimento para Mato Grosso e Pará. Tornaria a produção agrícola da região competitiva no mercado internacional devido à redução no custo do frete. "Sem a utilização da BR-163, haverá além da permanência de uma carga desnecessária de custos, um congestionamento no escoamento de soja pelos portos tradicionais", afirma Baldo.

Segundo Júlio Miragaia, as obras de pavimentação e manutenção da BR-163 têm custo estimado em cerca de R$ 1,2 bilhão, com a conclusão prevista para 2 anos e meio a partir do momento do seu início.

A rodovia Cuiabá-Santarém atravessa uma das regiões mais importantes da Amazônia do ponto de vista do potencial econômico, diversidade biológica, riquezas naturais e diversidade étnica e cultural. As regiões Médio-Norte e Norte de Mato Grosso abrigam um dos pólos agrícolas mais produtivos do País, com destaque para a produção de soja.

O estado precário das rodovias na região tem sido um grave obstáculo para o desenvolvimento e melhoria da qualidade de vida de sua população.

Por essa razão, a pavimentação dessa rodovia tem sido longamente reclamada pelos segmentos sociais e empresariais que dela necessitam para o escoamento dos seus produtos e para o atendimento às suas demandas básicas.

A percepção das vantagens de escoar a crescente produção agrícola de Mato Grosso, pelos portos de Miritituba (próximo à Itaituba) ou Santarém, tornou o asfaltamento da BR-163 uma obra estratégica para o desenvolvimento regional e nacional. Estima-se uma expressiva redução nos custos de transporte da safra agrícola por essa via, em comparação com as principais rotas atualmente utilizadas, que se destinam aos portos de Paranaguá e Santos.

A obra servirá, também, para escoar produtos eletro-eletrônicos da Zona Franca de Manaus, carne, madeira e produtos agro-florestais destinados ao mercado do Centro-Sul do País. A pavimentação da BR-163 é também defendida pelos movimentos sociais na expectativa de que a obra dinamize a economia local de municípios com graves problemas sociais, escassez de emprego, serviços sociais precários e infra-estrutura incipiente.




Fonte: Clic Hoje

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