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Terça - 15 de Fevereiro de 2005 às 10:37

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Os interessados em aprender a tocar a viola de cocho, instrumento tombado no final do ano passado como Patrimônio Cultural Nacional, podem se inscrever no Centro Cultural Casa Cuiabana até esta terça-feira (15) para participar das aulas de iniciação musical nesse peculiar instrumento. O curso é gratuito, sendo patrocinado pelo Governo do Estado, como forma de estimular a preservação desta cultura.

As aulas serão as terças e sextas-feiras, das 19 às 21 horas. A única exigência para fazer o curso é a de que o/a aluno/a tenha mais de 10 anos. “O número de vagas é limitado”, informa o cururueiro Antônio de Freitas, professor credenciado para ensinar a viola de cocho. Antônio é natural de Nossa Senhora do Livramento, município situado na Baixada Cuiabana. Suas lides com o instrumento começaram na adolescência, quando ele tinha 16 anos. São mais de 40 anos de envolvimento com a viola, instrumento que integra rituais de destaque da cultura regional como o cururu e o siriri, ao lado do ganzá, espécie de reco-reco feito de taquara; e do mocho, banco com assento de couro percutido com baquetas.

Curso semelhante foi oferecido em 2002, porém, a procura foi insatisfatória. Para este ano a expectativa é boa, principalmente pelo destaque que a viola de cocho ganhou, em nível nacional, com o seu tombamento, e também pelo interesse do público feminino no aprendizado da viola. “Uma das novidades é que o curso está aberto às mulheres”, informa Regina Lobo, coordenadora da Casa Cuiabana, que faz um apelo às escolas para que incentivem alunos e alunas a participarem do curso. Ela aproveita para enfatizar que a Casa Cuiabana vem oferecendo também outros cursos à comunidade, como cavaquinho, violão, flauta doce, bateria, teclado, dança de salão, dança do ventre, balé infantil, técnica vocal e teatro.

Antônio ressalta que o projeto prevê não apenas a preservação do tradicional instrumento, mas também os valores que ele agrega como a poesia e o próprio repente que, ao som da viola de cocho, se fazem presentes no cururu e no siriri. “Cantando e dançando com movimentos coreográficos por vezes elegantes, o cururueiro atravessa noites a fio sem parar... Ora recordando sua atividade de trabalho, ora saudando alguém, ora lembrando de amores presentes ou distantes, quando não entregando-se ao desafio do competidor, cuja poesia não raro demonstra perspicácia, argúcia e inteligência dos comparsas...”, assinalou o escritor e pesquisador Francisco Alexandre Ferreira Mendes (1897-1984), considerado um dos maiores conhecedores do folclore mato-grossense em todos os tempos. TOMBAMENTO E PRODUÇÃO

A viola de cocho foi tombada no início de dezembro do ano passado em cerimônia em Salvador (BA) que contou com a presença do presidente Lula, do ministro da Cultura; Gilberto Gil e do presidente do Iphan – Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, Antônio Arantes. O instrumento foi tombado como bem cultural do patrimônio imaterial. Na mesma oportunidade também foram tombados o Terreiro de Alaketo e o Ofício da Baiana de Acarajé. A cerimônia marcou a abertura do Fórum Mundial de Turismo para a Paz e Desenvolvimento Sustentável.

A viola de cocho tem uma produção artesanal e o nome cocho diz respeito à escavação de uma caixa de ressonância em madeira, a semelhança dos cochos usados para depositar alimentos para animais. Tradicionalmente, para a confecção do instrumento são utilizadas matérias primas encontradas nos ambientes do cerrado e do pantanal. É um instrumento típico da região pantaneira, nos Estados de Mato Grosso e Mato Grosso do Sul.

Originalmente, a produção da viola de cocho era feita a partir de madeiras como a ximbuva e o sarã-de-leite. Já para produzir outras peças da viola como o tampo, cravelhas, pestanas e cavalete, costumavam ser usadas madeiras como o cedro, aroeira e mogno. Para colar essas peças à viola empregava-se no passado, uma goma fabricada por meio de uma orquídea selvagem (batata-de-sumaré) ou pela bexiga natatória das piranhas. Os trastos eram feitos com cera de abelha e as cordas com tripas de ouriço-cacheiro (porco espinho), irara, macaco prego ou bugio.





Fonte: Assesoria/sec-mt

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