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Agronegócios
Sábado - 10 de Julho de 2004 às 09:33
Por: Suzi Bonfim

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Na próxima quarta-feira (14.07), representantes da área de defesa sanitária de Mato Grosso e de outros Estados vizinhos ao Pará se reúnem em Brasília para discutir o documento final que o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) irá encaminhar ao governo russo com informações sobre a sanidade animal do rebanho de quase 70 milhões de cabeças de gado desta região. De acordo com o secretário nacional de Defesa Agropecuária do Mapa, Maçao Tadano, na abertura da 40ª Exposição Internacional Comercial e Industrial de Mato Grosso (Expoagro), na noite desta quinta-feira (08.07), a data da viagem depende apenas de uma adequação da agenda dos governantes do Brasil e Rússia.

A Rússia, em função de um acordo com o governo brasileiro, embargou a importação da carne produzida em Mato Grosso, Rondônia, Tocantins, Amazonas, Maranhão e Mato Grosso do Sul, por um período de até doze meses, porque eles (os estados) estão próximos do Estado do Pará, onde foi registrado um foco de febre aftosa, em 17 de junho, deste ano. O embargo da Rússia para a carne produzida no Pará é por dois anos.

Maçao Tadano também comunicou a liberação de cerca de 6 mil toneladas de carne para exportação. A maior parte é de carne bovina, 2,5 mil toneladas (t) do frigorífico Marfrig, 2 mil t do Friboi, e 1,8 mil t produzidas pelo frigorífico Quatro Marcos. Há também 300 toneladas de carne suína do frigorífico Intercoop. A flexibilização da Rússia, ao aceitar a remessa do que já havia sido produzido ou armazenado para exportação até o dia 18 de junho, pode ser um bom sinal no processo de negociação para a suspensão do embargo. “Cada país tem suas próprias regras de importação e temos que respeitá-las. Em setembro, o vice-presidente do Brasil, José Alencar, irá à Rússia e, em novembro, o presidente da Rússia, Vladimir Putin, deve vir ao Brasil. No momento adequado, agendaremos a viagem para tratar do embargo. Não podemos atropelar o processo”, considerou o secretário de Defesa Agropecuária do Mapa, negando qualquer intenção de recorrer a Organização Mundial do Comércio (OMC).

ÁREA LIVRE DE AFTOSA - Em reunião, no período da tarde, na Delegacia Federal de Agricultura (DFA), em Várzea Grande, com os representantes do Mapa, o Instituto de Defesa Agropecuária (Indea) da secretaria de Desenvolvimento Rural de Mato Grosso, apresentou o documento elaborado com informações técnicas sobre o sistema de defesa sanitária no Estado. “Nós já fizemos a nossa parte e, agora, cabe ao Mapa definir a estratégia para apresentar os dados à Rússia”, disse Décio Coutinho, presidente do instituto. “Tecnicamente, foram colocadas todas as garantias sanitárias. Os argumentos são os mesmos apresentados à Organização Internacional de Epizootias (OIE) que deu a certificação do Estado como área livre de febre aftosa com vacinação. Os requisitos agora se referem à legislação. É o que está em jogo”, reforçou o coordenador do Programa Sanitário do departamento de Defesa Animal do Mapa, Jamil Gomes de Souza, que esteve na Rússia negociando a suspensão do embargo à carne brasileira, no final do mês passado.

O secretário de Desenvolvimento Rural, Homero Pereira, está otimista. Para ele, a flexibilização dos russos é um reconhecimento do nosso status sanitário, a exemplo de outros países. O Brasil, segundo Homero, ao fechar o acordo com a Rússia, aceitando a regra do embargo de estados vizinhos ao foco de aftosa, pode ter se precipitado, e, agora, é preciso ter paciência para convencê-los do contrário.“Nas relações internacionais as decisões não acontecem na velocidade que nós gostaríamos. Por isso, esperamos que os frigoríficos não usem esse momento para reduzir o preço da arroba do boi pago ao produtor”, ponderou Homero. Ele também tranqüilizou os suinocultores dizendo que vai avaliar a situação com o setor e, se necessário, propor a intervenção do governo na questão tributária diante dos prejuízos causados pelo embargo da Rússia maior importado de carne suína de Mato Grosso.




Fonte: Secom - MT

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