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Agronegócios
Quarta - 08 de Maio de 2019 às 07:36
Por: Kaunna Navarro/Especial para o Diário

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A tendência de queda das importações chinesas de soja em um cenário de oferta global confortável levou a Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove) a novamente diminuir sua estimativa para as exportações do grão do país neste ano. Mas, segundo analistas, o cenário ainda poderá melhorar a depender do rumo das disputas comerciais entre Washington e Pequim, revigoradas por novas ameaças de Donald Trump de aumentar as taxações sobre as importações americanas de produtos chineses. Segundo maior produtor de soja, atrás dos EUA, o Brasil lidera os embarques mundiais do grão.

Em novo cenário divulgado segunda-feira (06), a Abiove passou a projetar os embarques em 68,1 milhões de toneladas, 2 milhões a menos que o previsto em março e volume 18,5% menor que o de 2018, que foi recorde. Como a entidade reduziu em US$ 20 o valor médio da tonelada a ser exportada, para US$ 360 (queda de 9,3% em relação ao ano passado), a receita estimada para 2019 recuou para 24,5 bilhões, 5,3% abaixo do resultado da conta de março e montante 26,1%, ou US$ 8,7 bilhões, inferior ao de 2018.

Os ajustes da Abiove, que trabalha com a perspectiva de que a colheita nacional chegará a 117,6 milhões de toneladas nesta safra 2018/19, 4,5% abaixo do total do ciclo 2017/18, derivam sobretudo da piora das expectativas das exportações á China. Responsável por quase 60% das importações mundiais do grão, o país registra desaceleração do crescimento de sua economia e sofre com um grave surto de peste suína africana, o que reduzirá sua demanda para a produção de ração animal.

Segundo o Departamento de Agricultura dos EUA (USDA), as importações totais da China cairão para 88 milhões de toneladas na safra internacional 2018/19, que terminará em agosto, ante 94,1 milhões no ciclo 2017/18 - as importações globais na atual temporada estão dimensionadas pelo USDA em 151,2 milhões de toneladas, cerca de 2 milhões a menos que na safra passada.

Com mais uma retração em março, as compras da China no exterior somaram 16,8 milhões de toneladas no primeiro trimestre, 14,4% menos que em igual período de 2018. Mas até agora, em razão das disputas comerciais entre Pequim e Washington, revigoradas por novas ameaças de Donald Trump, são os EUA que estão pagando essa fatura, já que os chineses continuam a privilegiar o produto brasileiro.

Conforme levantamento da Associação Nacional dos Exportadores de Cereais (Anec), de janeiro a março os embarques brasileiros totalizaram 18,3 milhões de toneladas, 2,8% mais do que no mesmo período de 2018. Em abril o ritmo seguiu forte - foram mais 10,1 milhões de toneladas, segundo a Secretaria de Comércio Exterior (Secex) - e é esperado um arrefecimento, cuja dimensão agora dependerá dos próximos rounds da briga sino-americana.

"Na verdade a gente não sabe o que vai acontecer. Mas tem trading que já está pagando entre 10 e 15 centavos [de dólar] a mais pelo bushel da soja brasileira", afirmou Ana Luiza Lodi, analista da INTL FCStone. Em mais um tweet com força para derreter mercados, Trump anunciou no domingo que alíquotas sobre importações da China no valor de US$ 200 bilhões deverão aumentar de 10% para 25% a partir da próxima sexta-feira. Cerca de US$ 50 bilhões em produtos chineses de alta tecnologia já pagam 25% para entrar nos Estados Unidos há dez meses - o mesmo acontece com a soja em grão.

Para Luiz Fernando Roque, da consultoria Safras & Mercado, de qualquer forma a queda das compras chinesas de soja em geral prevalecerá e, mesmo que o Brasil substitua uma parcela maior do fornecimento dos EUA, os embarques do país vão recuar de maneira expressiva. Afora a questão da desaceleração chinesa, o banco holandês Rabobank, por exemplo, aponta que o surto da peste suína provocará uma redução da produção de suínos na China entre 25% e 35% - ou seja, essa é a queda que o país registrará em sua produção de ração.

Para o "complexo soja" como um todo (inclui grão, farelo e óleo), a Abiove passou a projetar a receita das exportações brasileiras em 2019 em US$ 30,7 bilhões, US$ 2,2 bilhões a menor que o projetado em março e montante 25,1%, ou US$ 10,3 bilhões, menor que o de 2018.





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