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Internacional
Quarta - 11 de Julho de 2012 às 15:19
Por: MAJA ZUVELA

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Milhares de bósnios rezaram nesta quarta-feira enquanto os caixões de 520 homens e meninos muçulmanos mortos em Srebrenica em 1995 e jogados em valas comuns passavam pela multidão para finalmente serem enterrados 17 anos depois.

 

 

Envoltos em um pano verde, os caixões foram enterrados sob um sol escaldante no memorial de Potocari, no leste da Bósnia, em um funeral que marca o aniversário do massacre que levou o número de vítimas identificadas e enterradas para 5.657.

 

O general servo-bósnio da época, Ratko Mladic, está sendo julgado em Haia acusado de organizar a pior atrocidade da Europa desde a Segunda Guerra Mundial, durante o conflito na Bósnia, de 1992 a 1995, mas para as famílias das vítimas, a busca por justiça não traz tanto conforto.

 

"Não me importo mais com o que aconteça. Não há veredicto que possa trazer meu filho de volta", disse Sefika Menakic, de 56 anos, cujo filho Adem, com então 15 anos, foi assassinado enquanto tentava escapar depois que os mantenedores de paz holandeses abandonaram a cidade que havia sido declarada "zona de proteção" das forças servo-bósnias de Mladic.

 

Menakic ficou sabendo há três meses que especialistas forenses identificaram um osso do ombro e várias costelas de seu filho, que foram enterradas por ela nesta quarta-feira.

 

"Me mata pensar que ele está enterrado sem cabeça", disse ela. "Mas pelo menos sei que tenho um lugar para vir e rezar por sua alma."

 

Os restos mortais de cerca de 2.400 homens e meninos muçulmanos ainda têm de ser identificados ou retirados de valas comuns onde foram enterrados pelas forças de Mladic.

 

"Para aqueles que cometeram esse crime, não pode haver absolvição", disse o rabino de Nova York Arthur Schneier, um sobrevivente do Holocausto e o primeiro clérigo não muçulmano a participar na cerimônia anual.

 

A cerimônia foi marcada por assobios e vaias quando autoridades locais e estrangeiras chegaram, refletindo a raiva sobre uma decisão de que milhares de refugiados muçulmanos de Srebrenica, que já não vivem lá, não poderão votar na eleição municipal em outubro, o que significa, provavelmente, que o controle passará para sérvios locais.

 

Referindo-se ao conflito de 16 meses na Síria, Schneier disse que o mundo "não deve ficar em silêncio ou impotente diante da grave injustiça."

 

"É uma lição que o mundo deve aprender novamente hoje, uma vez que testemunhamos os massacres que estão sendo perpetrados pelo regime na Síria contra o seu povo. Novamente, é tempo de a humanidade dizer com uma única voz clara: esses crimes devem terminar."

 

Mladic, o ex-general das forças servo-bósnias, de 70 anos, foi preso em maio do ano passado em um vilarejo no norte da Sérvia após vários anos foragido.

 

Promotores da Organização das Nações Unidas abriram o caso contra ele na segunda-feira no tribunal de crimes de guerra da ONU em Haia, onde Mladic enfrenta uma série de acusações, incluindo genocídio pelo massacre de Srebrenica e o cerco de 43 meses à capital da Bósnia, Sarajevo, que matou mais de 10.000 pessoas. A guerra no país matou cerca de 100.000.





Fonte: Reuters

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