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Internacional
Domingo - 22 de Maio de 2011 às 17:43

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No dia seguinte ao anúncio de que o Fundo Monetário Internacional (FMI) iniciou o processo de sucessão para seu diretor-gerente, África do Sul e Austrália afirmaram neste domingo que a nomeação deve ser baseada em mérito e não em nacionalidade.

Em nota conjunta, ambos os países afirmaram que o atual sistema de nomeação compromete a legitimidade do FMI.

O órgão sempre foi chefiado por um europeu, e o ministro da Economia britânico, George Osborne, já manifestou apoio à colega francesa, Christine Lagarde, para suceder Dominique Strauss-Kahn.

Strauss-Kahn renunciou ao cargo na semana passada para se concentrar em sua defesa no caso judicial em que é acusado de agressão sexual.

"Durante tempo demais, a legitimidade do FMI foi comprometida por uma convenção de nomear a sua administração mais alta com base na nacionalidade dos candidatos", disseram o ministro do Tesouro australiano, Wayne Swan, e o ministro das Finanças sul-africano, Pravin Gordhan, em nota conjunta.

"Para manter a confiança, credibilidade e legitimidade aos olhos dos seus interessados, é preciso que haja um processo de seleção aberto e transparente que resulte na escolha da pessoa mais competente para ser nomeada diretor-gerente, independentemente de sua nacionalidade."

G20

Os dois dividem a presidência do grupo de trabalho para reforma do FMI do G20 (o grupo dos 20 maiores países ricos e em desenvolvimento).

Países emergentes também vêm pedindo o fim da primazia europeia na liderança do FMI.

Embora Lagarde goze de apoio amplo entre grandes economias europeias, o ex-ministro das Finanças da África do Sul Trevor Manuel também é considerado candidato.

Além dele, fala-se no ex-ministro das Finanças alemão Peer Steinbrueck e no ex-presidente do banco central alemão, o Bundesbank, Axel Weber.

No entanto, a chanceler alemã, Angela Merkel, afirmou considerar Lagarde "ilustre" e "muito experiente", enquanto o ministro das Finanças alemão, Wolfgang Scheuble, afirmou à edição dominical do jornal Bild que Lagarde é "extraordinariamente qualificada" e "extremamente respeitada e aprceiada em todo o mundo financeiro".

O ministro das Finanças belga, Didier Reynders, também se mostrou interessado no cargo.

Entrevistado pelo canal de TV RTBF sobre seu interesse, ele disse que "claro (que estaria interessado), este tipo de emprego não se pode recusar".

Strauss-Kahn

Strauss-Kahn foi detido no dia 14 de maio, em Nova York, acusado por uma camareira de hotel de tentativa de estupro e agressão sexual.

Na sexta-feira, ele deixou a cadeia, sob fiança, mas ficará em prisão domiciliar nos EUA enquanto a Justiça dá sequência ao processo.

O francês negou as acusações e alegou ter renunciado à chefia do FMI para se dedicar a sua defesa.

Segundo o comunicado do FMI desta sexta, a decisão final sobre o novo diretor-gerente será anunciada em 30 de junho.

"O candidato escolhido terá um histórico eminente em políticas econômicas em nível sênior", diz o texto a respeito do "processo seletivo".

"Ele ou ela deve ter demonstrado as habilidades gerenciais e diplomáticas necessárias para liderar uma instituição global e será cidadão de qualquer um dos países-membros do Fundo."

O FMI, que está sob o comando interino do vice de Strauss-Kahn, o americano John Lipsky, afirma que a saída do francês não afetou suas operações de rotina. Mas o Fundo está sob pressão para encontrar rapidamente um sucessor, enquanto tenta estabilizar a ainda frágil economia global.






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