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Opinião
Quinta - 10 de Junho de 2010 às 09:16
Por: Gabriel Novis Neves

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Acompanhei todas as Copas a partir de 1950. As primeiras pelo rádio. Foram as mais lindas - filhas das nossas fantasias. Depois surgiu o VT. A gente assistia então aos jogos do Chile pela televisão, só que na noite do dia seguinte ao jogo, no Rio de Janeiro. Mas, a Copa de 1970, apesar de ver a transmissão do jogo pelo VT, passou aqui em Cuiabá na mesma noite do jogo realizado. Tudo em preto e branco, gravada em Campo Grande, que recebia o sinal direto do México, via São Paulo. A diferença de fuso horário nos favorecia para as emoções da noite. Quem transportava o VT era o Eli, piloto do avião da Cemat. A ordem para a missão era do governador do Estado, torcedor do Botafogo. Hoje, graças à alta tecnologia das transmissões, eu prefiro assistir aos jogos pela televisão a ir ao estádio.

Em 1950, por ocasião da inauguração do Maracanã, acompanhei aquele fatídico jogo pelo rádio - que chiava muito. A transmissão foi da Rádio Nacional do Rio de Janeiro. Os locutores eram Antonio Cordeiro e Jorge Cury. Em campo o Luis Alberto. Na retaguarda, tenho a impressão, que era o eterno Léo Batista. Claro que não acreditei na nossa derrota! Fiquei triste, mas do fundo do coração acho que foi uma lição para o nosso treinador. Ele era técnico do nosso arqui-inimigo, o Clube de Regatas Vasco da Gama, e escalou o seu time para a Copa, com três ou quatro jogadores de outros clubes. Na convocação trouxe todo o time cruzmaltino, e uns reservas do clube!

Naquela época o Nilton Santos estava no apogeu da sua carreira. Acabara de conquistar o Campeonato Carioca em 1948. Nilton jogava nas duas laterais. Em São Paulo, no jogo contra a Suíça, que naquela época só entendia de relógios, o técnico escalou um tal de Alfredo, do Vasco, na lateral esquerda. Resultado do Pacaembu: 2 x 2. Nos outros jogos, inclusive na decisão do Maracanã, no dia 16/07/1950, o lateral-direito era um membro da Polícia Especial que jogava no Vasco. E o Nilton Santos? No banco! Por onde surgiu o gol uruguaio, que calou 200 mil torcedores no Maracanã? Exatamente pelo lugar que de direito pertencia ao jogador do banco, Nilton Santos. Muita coincidência, e que mostra quanto custa uma birra do treinador.

Todas as vezes que o treinador não ouve o povo o desastre é quase sempre mostrado no resultado. Em 1954 o Garrincha jogava o fino do futebol-arte. Por capricho do treinador, nem convocado foi. Levou o Maurinho. Alguém sabe quem foi esse atleta? Coutinho não levou o Falcão para a Copa da Argentina. Ganhamos o título de Campeões Morais dessa Copa. Inteligente foi o Parreira, que não suportava o Romário, mas atendeu o clamor popular e o convocou. Ele foi eleito o melhor jogador da Copa e o Brasil tetra nos Estados Unidos.

O que comentar sobre o pavor do Dunga pelo craque? Vamos ter que pagar para ver, e desejar boa sorte aos jogadores convocados, que não são culpados pela birra do treinador.


*Gabriel Novis Neves
é médico em Cuiabá



Autor

Gabriel Novis Neves

foi o primeiro reitor da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT); é médico gineco (ginecologista e obstetra)

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