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Opinião
Domingo - 30 de Maio de 2010 às 13:05
Por: Eduardo Gomes

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Por todos os argumentos de ordem econômica, por toda logística de transporte e integração nacional a BR-163 tem que ser pavimentada no Pará. Compartilho esse entendimento acrescentando outro, que nunca é citado nos artigos sobre essa rodovia.

Seria redundante falar sobre o significado da conclusão da pavimentação da BR-163 para a economia mato-grossense e a ampliação da logística do transporte multimodal brasileiro. Por isso a focalizo por um aspecto que embora tenha implicações econômicas é mais abrangente por envolver questões acima do universo financeiro: refiro-me a sonhos, vidas sufocadas pelo isolamento da mata à margem de um canudo de poeira na estiagem e de atoleiro sem fim no inverno amazônico.

O coronel José Meirelles, oficial que comandou o 9º Batalhão de Engenharia de Construção quando da abertura da BR-163 a chama de “Predestinada”. Do nome informal que Meirelles lhe deu extraio o tema que me leva a focalizá-la pelo aspecto humano mais irradiante que a intensidade da luz que a conclusão de sua pavimentação representará para o desenvolvimento brasileiro.

Quem cruza a BR-163 no Pará vê alicerces de projetos que não se viabilizaram no campo econômico porque o governo falhou ao não levar adiante a interiorização nacional, o que resultou no surgimento de milhares de órfãos da Cuiabá-Santarém. Tal orfandade é representada por brasileiros que foram incentivados a trocar seus lugares de origem pelo sonho da conquista amazônica.

Não é possível quantificar e muito menos identificar os que foram para as margens e eixo de influência da BR-163 no Pará à espera da prometida pavimentação que melhoraria sua qualidade de vida e garantiria evolução patrimonial. Os anos se arrastaram tão lentos quanto os carros que cruzam aquela rodovia, mas seguiram seu curso deixando no vácuo de seu avanço sulcos nos rostos e cabelos brancos em homens e mulheres de mãos calejadas, que com seu trabalho e presença ocuparam a parcela do Brasil, que agora é berço dos órfãos da BR-163.

Depois de tantas idas e vindas pela BR-163 espero em breve cruzá-la de ponta a ponta pavimentada. Quero vê-la arrancar sorrisoS de realização e lágrimas de alegria ao cumprir sua pretestinação - citada por Meirelles – proporcionando felicidade coletiva com o resgate ainda que tardio de uma grande dívida moral e institucional do Brasil com seus filhos que transformaram o vazio da calha do Tapajós num fragmento de imorredoura esperança pela brasilidade plena.


Eduardo Gomes é jornalista

eduardo@diariodecuiaba.com.br



Autor

Eduardo Gomes
eduardogomes.ega@gmail.com http://www.mtaquionline.com.br/

É Jornalista em Cuiabá

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