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Opinião
Quinta - 31 de Maio de 2012 às 11:45
Por: Mario Eugenio Saturno

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O Programa Espacial Brasileiro já viveu momentos surpreendentes como o do primeiro satélite, SCD-1, que tive a oportunidade incrível de participar do projeto e do lançamento. Outro fator marcante foi o acidente em Alcântara, que ceifou vidas importantes em poucos segundos.

Também eventos bizarros marcaram a história, como a mudança do nome do INPE (Instituto de Pesquisas Espaciais), que sempre teve a letra N na sigla, mas não tinha o Nacional no nome. Talvez IPE fosse uma sigla melhor já que a nossa árvore símbolo é o ipê. Então, em 1990, quando todos esperavam a recuperação do salário, que fora reduzido à metade pelos fracassado plano econômico, o governo anuncia a incorporação do "Nacional" ao nome. E muitos elogiaram e disseram que era "antiga reivindicação"... Nunca soube disso!

Agora, a área espacial tem novos agentes. Com a "promoção" de Marco Antonio Raupp ao Ministério da Ciência, José Raimundo Braga Coelho foi escolhido para ser o presidente da Agência Espacial Brasileira (AEB). O Zé Raimundo é antigo colaborador de Raupp, um bom indicativo para o sucesso. Espera-se mais apoio para a área.

A AEB é o principal executor de nossa política espacial. Certamente, um grande problema é o Programa Espacial Brasileiro que vem sofrendo com os cortes no orçamento. Neste ano, deve acontecer o lançamento do CBERS-3 e o futuro do programa de satélites sino-brasileiros precisa ser definido.

José Raimundo ainda promete levar adiante o programa de lançadores, aumentar a participação das empresas industriais brasileiras, bem como das universidades e centros de pesquisa tecnológica. E, finalmente, lançar no prazo estabelecido o primeiro satélite geoestacionário. Essa será difícil, pois o empreendimento público-privado é entre a Telebras e a Embraer, que não tem experiência espacial.

Para existir, esse empreendimento deve promover um grande "rapa" no INPE, afinal, escrever uma especificação e efetuar a compra vai necessitar de gente experiente, estou em dúvida se a Telebras tem gente disponível. Em todo, muita gente já está atualizando o "curriculum vitae". Afinal, essa nova empresa já recebeu do governo na ordem de R$ 1 bilhão, com dispensa de licitação. E pensar que a indústria espacial brasileira andava "matando" por poucos milhões...

Evitar a fuga de funcionários, e substituir os que vão se aposentar será o grande desafio do novo diretor do INPE, Leonel Perondi, para o curto prazo, e para o curtíssimo prazo, terá que recuperar o orçamento cortado e ainda conseguir algo maior, isso para manter os projetos espaciais que já estão parando por inanição. Perondi já esteve na AEB, que deverá incorporar o INPE à sua estrutura. O encontro realizou-se em clima de grande cordialidade e perfeita sintonia de propósitos e expectativas, segundo o Presidente José Raimundo. Uai, e era esperado algo diferente disso? Porém, cordialidade não faz engrenagem funcionar. É preciso que o governo "descubra" o potencial econômico do espaço e invista de acordo com a potência econômica que nos tornamos.


Mario Eugenio Saturno
(mariosaturno.blog.com) é Tecnologista Sênior do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) e congregado mariano.



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