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Opinião
Quarta - 04 de Março de 2015 às 10:38
Por: Alfredo da Mota Menezes

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Seria interessante que o governo e a Assembleia Legislativa buscassem informações sobre o que aconteceu com outras construções de VLTs pelo Brasil.

Um que está com obras andando, apesar de algumas disputas judicias, e que poderia ser olhado com mais cuidado, é o de Santos.

Tomo como exemplo de confusão e obras inacabadas, o VLT de Campinas e uma espécie de VLT, o de Salvador. Tudo está no santo google.

A conversa inicial sobre o de Campinas é de 1972. Deveria aproveitar linhas férreas já existentes ali. Não foi em frente.

Volta a conversa sobre o VLT em 1981. Também não andou. Em 1990, com licitação vencida pela Mendes Junior, iniciou a obra. "O metrô de superfície de Salvador começou em 2000 e era para terminar em 2003. O primeiro trecho de 7.2 km só foi inaugurado 14 anos depois, em junho de 2014, às vésperas da eleição presidencial "

O primeiro trecho foi inaugurado em novembro do mesmo ano, poucos dias antes da eleição que elegeu Fleury Filho, candidato do Quércia. Impressiona como VLT e metrôs de superfície atraem votos.

A Fepasa tomava conta do VLT. Em março de 1991 foi inaugurado outro trecho, 2.2 km. Teve problema elétrico para contornar.

Já eram 4.3 km e o VLT transportava por dia apenas 2.5 mil passageiros e de forma gratuita.

Em abril de 1991 inaugurou-se mais 4 km. O número de passageiros subira para 7 mil. Acabou a gratuidade, caíram para 4 mil passageiros. A estimativa inicial seria de 20 mil por dia.

Cobrança de passagem e falta de integração com ônibus levou o projeto ao fracasso. Em 1993 a Fepasa repassou a gestão do sistema para a Mendes Junior.

A estatal pagava à gestora 700 mil reais por mês para subsidiar passagens. Tinha-se àquela altura 7.9 km e transportavam 4 mil passageiros.

A gestora, mesmo tendo subsidio, perdia 510 mil reais por mês.

O sistema se mostrou inviável, foi desativado em fevereiro de 1995. A Mendes Junior reclamava que a Fepasa lhe devia sete milhões de dólares.

A Fepasa tentou vender o sistema, nunca conseguiu comprador. O sistema foi abandonado e deteriorou por completo.

As acusações de corrupções nas obras eram constantes. Os 13 km dele custariam 90 milhões de dólares. No final se construiu 8.5 km pelo custo de 125 milhões de dólares.

O metrô de superfície de Salvador começou em 2000 e era para terminar em 2003. O primeiro trecho de 7.2 km só foi inaugurado 14 anos depois, em junho de 2014, às vésperas da eleição presidencial

Compraram da Coreia 24 vagões por 100 milhões de reais. Estão todos deteriorados. Houve erros incríveis.

Um deles aumentou em 20% o custo do projeto quando descobriram que a obra passaria por cima da rede de esgoto. Sete engenheiros foram processados.

O projeto inicial era de 41 km e custaria um bilhão de reais. Fizeram só 12 km e o dinheiro foi todo nesse trecho.

Tem VLT em outros lugares do Brasil.

Uma CPI levantaria tudo isso, gentes de lá poderiam ser ouvidas, mostrariam os erros e acertos, ajudaria a dar rumo ao nosso VLT.

ALFREDO DA MOTA MENEZES é historiador e articulista político em Cuiabá.



Autor

Alfredo da Mota Menezes

ALFREDO DA MOTA MENEZES é historiador e articulista político

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