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Opinião
Quarta - 07 de Dezembro de 2011 às 16:33
Por: Ana Adélia Jácomo

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A preocupação com os dependentes químicos sempre foi clara, mas recentemente o tema tem se alastrado e preocupado ainda mais o Governo e a sociedade. Enquanto uns tentam ajudar se esforçando para manterem comunidades terapêuticas sem qualquer ajuda do Poder Executivo municipal e estadual, outros não medem esforços para que os locais sejam fechados.

É com tristeza que acompanhei o trabalho do respeitado Conselho Federal de Psicologia, que além de produzir um laudo mal-intencionado, ainda tenta brecar um plano federal de combate às drogas.

A presidente Dilma Rousseff reconhece a eficácia das clínicas filantrópicas e pleiteia enviar recursos do Sistema Único de Saúde às casas. Em Mato Grosso, o governador Silval Barbosa já montou o mesmo programa e ao que tudo indica também ajudará financeiramente as organizações.

É degradante ver os viciados em crack perambulando sem direção pelas ruas de Cuiabá. Eles se prostituem, roubam, fazem de tudo por R$ 10 e o que nós fazemos para que possam se tratar? Quantas clínicas o Estado tem? Nenhuma. O único local que ainda presta atendimento com medicação, mas sem internação é o Hospital Adauto Botelho, um manicômio que trata o vício apenas como doença mental e se esquece que as marcas também são na alma, no coração.

A política anti-internação adotada pelo Conselho é fraca e sem argumentos convincentes. Os psicólogos se defenderam dizendo que o usuário não deve ser o foco de combate, mas sim os traficantes.

Concordo plenamente com a ideia de se extinguir o tráfico de drogas, mas é utopia afirmar que um dia ele deixará de existir.

O mais importante é combater o uso de drogas. Há que se investir nas clínicas criadas tanto por organizações religiosas como por membros de uma sociedade organizada.

Temos várias comunidades de grande valia, como a Associação Espírita Wantuil de Freitas, o Lar Cristão e muitas outras. É clichê dizer que “se não houver quem compre, não haverá quem venda”, mas é a pura verdade.

Contudo, o problema com as drogas no Brasil vai muito além de um plano de tratamento, ele é causado pelo desemprego, pela educação em frangalhos, pela saúde pública revoltante e pela péssima distribuição de renda. O abandono público é a brecha por onde entram o crack, a maconha, a cocaína e tantas outras drogas lícitas e ilícitas. Por que não damos as mãos e investimos nas comunidades terapêuticas? Por que o Conselho não mostra a mesma intolerância contra a corrupção no Brasil? As conseqüências do desvio de dinheiro público é que causam as principais mazelas nacionais.

ANA ADÉLIA JÁCOMO é repórter do Diário



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