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Opinião
Domingo - 18 de Outubro de 2020 às 05:47
Por: Renato de Paiva Pereira

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Países do oriente médio, dominados pelo Islamismo; nações africanas que são as menos desenvolvidas do mundo e Estados do leste europeu estão ficando cada vez mais religiosos. Ao contrário destes, povos mais prósperos da Europa – principalmente os dos Estados Nórdicos – experimentam um gradativo refluxo das crenças e da religiosidade.

A turma dos atrasados, alguns regidos pela Sharia (Lei Islâmica), outros influenciados pelas superstições tribais e vários guiados pelas doutrinas Cristãs da Bíblia Sagrada insiste em mergulhar no obscurantismo, enquanto os do segundo grupo se afastam dos dogmas e das superstições.

Claramente os países laicos são mais pacíficos, desfrutam de maior igualdade social e controlam com eficiência a corrupção. Em oposição, os devotos são belicosos, religiosamente intolerantes e tem especial desapreço pelas mulheres e homossexuais.

Mesmo com a clara vantagem social dos incrédulos sobre os crentes o atual governo brasileiro escolheu ficar do lado do atraso optando pela fé evangélica

A média percentual dos que creem em Deus não passa de um terço da população entre os países nórdicos, enquanto supera 80% dos habitantes em algumas nações do leste europeu e nos países africanos.

Mesmo com a clara vantagem social dos incrédulos sobre os crentes o atual governo brasileiro escolheu ficar do lado do atraso optando pela fé evangélica, fundando o que está se consolidando como a República dos Pastores.

No Ministério da Educação, comandado pelo pastor Presbiteriano Milton Ribeiro nega-se o evolucionismo e atribui a homossexualidade à desestruturação familiar. Ainda temos o pastor André Mendonça no Ministério da Justiça e Segurança Pública e a esquisitíssima Ministra Pastora Damares Alves que teve, segundo ela própria, um histórico encontro com Jesus no alto de uma goiabeira.

Mas essa busca frenética por pastores tem mais um complicador: para o Supremo Tribunal Federal será escolhido, no ano que vem, um pastor “terrivelmente evangélico” tornando possível, segundo desejo expresso do Presidente, que as sessões da Suprema Corte comecem com uma oração.

É o retorno do Brasil ao período pré-iluminista onde as religiões, as crenças e as superstições comandavam a sociedade. Seria a volta dos livros sagrados (no caso, a Bíblia) na condução dos comportamentos e dos costumes em prejuízo de todas as conquistas que a separação do Estado das religiões trouxe.

O fanatismo religioso se não determina, pelo menos incentiva o atraso, tanto que a maioria das nações fanáticas são as mais atrasadas, contrastando com e a mais evoluídas que há muito vem substituindo o “teísmo” - a fé em um Deus individual que cuida de cada um - pelo “ateísmo”. Alguns menos radicais abraçam o “deísmo” que é a aceitação de um ser superior, possível criador do universo, mas desobrigado da enjoada tarefa de pajear individualmente bilhões de adultos infantilizados.

A expressão “terrivelmente evangélico” foi criada pela Pastora Damares num arroubo de retórica torta, ignorando que tal advérbio não se aplica a sentimentos auspiciosos. Tanto que ninguém é chamado de “terrivelmente” honesto, bondoso ou amável. Ela (a expressão) não sugere nenhuma analogia positiva, antes, com menor ou maior proximidade semântica significa horrível, tremendo, funesto e remete a dor, sofrimento e medo, entre outros sentimentos indesejados.

O “terrível” intensificando o “evangélico” passa a mensagem que ambos são negativos, o que é uma injustiça com os crentes e com os pastores que os representam.

RENATO DE PAIVA PEREIRA é empresário e escritor.



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