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Opinião
Sábado - 02 de Outubro de 2021 às 06:58
Por: Claiton Cavalcante

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Tudo começou a muito tempo atrás mais precisamente na Roma antiga, lá pelos idos do século II a.C. De lá pra cá, volta e meia a cena se repete. Mudam-se os atores, mas o enredo permanece inalterado.

Dentre tantos, temos um picadeiro montado a quase seis meses, visto que suas apresentações iniciaram em 27 de abril. Coincidência ou não, fato é que naquela época (século II a.C.) para os espetáculos eram também reservados 180 dias no ano (para cada dia útil havia um ou dois dias de feriado).

É impressionante a similaridade das situações, pois desde o início do pão e circo é exatamente nos tempos de crise, em especial em tempos de pandemia e embates político-ideológico, que as autoridades acalmam o povo com a construção de enormes encenações bancadas com dinheiro público.

Nessas encenações os organizadores despreparados e outros desqualificados realizam sangrentos espetáculos envolvendo gladiadores, seres desrespeitosos, pirotecnias, espetáculos com palhaços e muitas máscaras.


Nesse nosso espetáculo da vida real até o último dia 30 de setembro, 60 atores passaram pelo palco, alguns protagonizaram situações das mais constrangedoras e também não menos desqualificadas foram as atuações de alguns dos entrevistadores integrantes do Senado Federal.

O espetáculo denominado CPI da COVID-19, tem nos entristecido com cenas e atuações estapafúrdias, pois da mesma forma que é conduzida por alguns membros de reputação duvidosa a maioria dos convidados também se comportam como se atores fossem. Não depreciando os atores na acepção da palavra! Mas atores desprovidos de noção do ridículo.

O espetáculo denominado CPI da Covid-19, tem nos entristecido com cenas e atuações estapafúrdias

Para quem está acompanhando pela televisão a referida CPI sabe muito bem do que estou falando. Em razão disso tenho lampejos em acreditar que estava correto o escritor francês, Carcopino, quando disse que a plebe romana era controlada por meio de lazeres e diversão, para que assim não tivesse tempo livre para pensar em revoltas contra os senhores finórios.

Durante as sessões da CPI alguns senadores tem se prestado a protagonizar espetáculos grotescos que só avilta a imagem do Senado. Chego a pensar que ao fazerem certos tipos de perguntas aos convidados ou testemunhas da CPI os senadores estão na verdade é insultando a inteligência do cidadão brasileiro.

Por outro lado, temos presenciado por parte dos convidados ou testemunhas, total desrespeito com as autoridades constituídas, em que pese algumas daquelas autoridades terem o teto de vidro. Longe disso, a instituição Senado Federal merece e deve ser respeitado.

Nas oitivas tem acontecido de tudo um pouco, temos patriota trajado quase a caráter, sustentando placas onde estava escrito ‘não me deixam falar’ e ‘liberdade de expressão’, digo “quase a caráter” porque a testemunha vestia paletó verde, gravata amarela, camisa branca e ausência da calça azul, por essa ausência não nos faz lembrar da Bandeira nacional.

Se temos patriotas, temos também senadores que tem baixado o nível, tem sido autoritários, desrespeitosos e em alguns casos não cumpre o que prometem, ao menos durante as oitivas. Pois prometem e exigem respeito, no entanto, na primeira oportunidade ou na primeira ‘saia ou calça justa’ atacam o depoente com adjetivos hostis.

Em recente sessão da CPI, senadores xingaram o Ministro da Controladoria Geral da União, Wagner do Rosário, de “moleque”, “moleque de recado”, “garoto mimado” o adjetivo menos agressivo foi “desqualificado para o cargo”.

De modo que, o Ministro ao demonstrar demasiado despreparo emocional, nas dependências da Câmara alta, ataca uma senadora da República chamando-a de ‘descontrolada’. Para muitos isso foi um furioso ataque machista. Para mim, um desrespeito a Instituição.

A presepada mais recente ocorreu quinta-feira (30), quando um empresário que estava sendo ouvido fez comentários homofóbicos contra o senador Fabiano Contarato. O empresário após perceber a meleca que fez tentou se desculpar, mas o constrangimento já tinha tomando proporções gigantes dentro da CPI. Muitos esquecem que orientação sexual não define o caráter, nem mesmo de um senador.

Enfim, presepadas a parte, para findar e ao mesmo tempo apimentar essa discussão quero crer que tudo isso não seja mesmo pão e circo, visto que como dito por Carcopino, a classe política entende que por ter muito tempo livre e por ser ociosa, a plebe pode revoltar-se contra o governo, e para que isso não ocorra é necessário criar espetáculos mirabolantes para prender a atenção e com isso manter o povaréu despolitizado.

Oxalá que o escritor francês esteja quadradamente equivocado!

Claiton Cavalcante é contador.



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