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Opinião
Terça - 05 de Outubro de 2021 às 06:36
Por: Rosana Leite Antunes de Barros

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Fatos delituosos aconteceram com algumas mulheres, em vários estados da federação. Ao procurarem por um ginecologista, se depararam com abusos, assédios e estupros. Um abusador tinha sido detectado.

N.J.E.M. já havia clinicado como ginecologista em diversos locais do país. No dia 30 de setembro do corrente ano uma força-tarefa foi montada pela Polícia Judiciária Civil no afã de realizar a respectiva prisão. Ele foi detido em seu consultório, no município de Anápolis/GO.

Segundo a delegada responsável pelas investigações, Isabella Joy, o telefone na delegacia não para de tocar. Relatou que a cada hora cresce o número de vítimas, e que até o momento aproximadamente 52 a 54 mulheres já buscaram a delegacia. Por volta de 40 mulheres já foram ouvidas, cada qual com o respectivo relato de crime sexual perpetrado contra elas, pelo citado médico.

Uma das mulheres foi vítima na adolescência, aos 12 anos. K.C. afirmou: “Me mostrou histórias em quadrinho pornô e vídeos. Me mandando os links e quais eu podia assistir. Depois levantou, pegou minha mão e colocou nele, na parte íntima dele.” Outra paciente/vítima foi enfática: “Ele teve conversas inadequadas, me mostrou sites obscenos, brinquedos eróticos e tocou em mim não da forma que um ginecologista deveria tocar. Quando ele colocou minha mão na parte íntima dele, sabe?”

Fatos delituosos aconteceram com algumas mulheres, em vários estados da federação

Por que vários casos geralmente ocorrem para que as mulheres passem a relatar para o Poder Público e buscarem por ajuda? Apenas um caso já não seria o suficiente?

Bom, para responder a esses questionamentos é necessário relembrar que historicamente muitas mulheres foram desacreditadas, justamente pela condição de gênero. É preciso falar que esses assédios e abusos aconteciam sem punição, e que o vilipêndio e desrespeito às mulheres era uma realidade.

As leis sempre existiram, mas, em outros tempos, eram ignoradas, dando vazão ao cometimento de crimes contra elas. O mundo vem se mudando e sendo modificado gradativamente. O que antes era ‘aceito’ hoje é intolerável.

Nos relatos das muitas mulheres que esse profissional da medicina atendeu, é provável perceber que elas demoravam a acreditar que estivessem sendo, de fato, vítimas.

Tentavam compreender as ações do médico, e, somente quando percebiam não serem cabíveis determinados feitos é que se percebiam vítimas reais. Relataram, inclusive, que ele não aceitava que as pacientes trouxessem acompanhantes nas consultas.

Algumas atitudes são criminosas sim. Abraçar as mulheres com aperto demasiado. Tecer comentário sobre o corpo da mulher. Falar sobre contos eróticos, ou mostrar algo com conotação erótica. Cumprimentar as mulheres com passadas de mãos nos corpos delas. Olhares que as despem, e por aí afora.

Não há qualquer dúvida sobre o que é respeito, o que é desrespeito, e o que é crime. Aqueles equívocos que alguns homens mencionam sobre como se comportar socialmente para não ser confundido com agressor não procede. O agressor é visto a ‘olhos nus’, ele é perceptível, em algum momento aparecerá.

E que as mulheres não sintam qualquer culpa e não tenham dúvida de que estão sendo vítimas. É preciso deixar evidente em crimes tais quem é a vítima e quem é o agressor...

Rosana Leite Antunes de Barros é defensora pública estadual.



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