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Opinião
Quarta - 06 de Outubro de 2021 às 06:21
Por: Leonardo Boff

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Precisamos falar de agroecologia. Esse é um tema que não tem a ver apenas com o Brasil e o Mato Grosso, mas é um debate sobre o futuro da humanidade.

Nós não vivemos sem alimento, essa é a base da vida. A agroecologia é exatamente isso, a produção dos meios necessários de vida, a produção de comida.

Também precisamos fazer uma distinção entre o agronegócio e a agroecologia. O agronegócio trata a Terra como um meio de produção. Hoje há alimentos como negócio.

O agronegócio não tem interesse em “matar a fome dos brasileiros”, busca apenas o lucro

A Agroecologia trata a Terra como uma mãe, a mãe Terra. Aquela que a gente ama, cuida e venera. É essa a grande distinção entre o agronegócio e a agroecologia.


O primeiro pensa no lucro e na riquezas (para poucos), prejudicando a humanidade. A segunda busca uma nova visão da Terra, tendo esta como uma entidade viva, que continuamente produz vida para si e para todos. Desde a década de 1970 a comunidade científica já nos alertou que a Terra é um supro organismo em movimento. Ela não é um instrumento para nós abusamos, fazermos o que quisermos.

A Terra é a nossa mãe. Desde 2009, a Organização das Nações Unidas (ONU), no dia 22 de abril declarou por unanimidade, com 192 votos de todas as nações ali representadas, que aquele seria o Dia da Terra. Isso porque a Terra é como o Sol, não podemos cavar e não podemos vender. Tão pouco podemos comprar.

Para transformarmos a nossa forma de interagir com a Terra, precisamos transformar a economia de mercado. Precisamos criar uma sociedade de mercado. Hoje, tudo é feito na forma de negócio, especialmente os alimentos. Assim, se compra, se vende e se controla a alimentação do mundo, buscando vantagens do lucro.

O agronegócio não tem interesse em “matar a fome dos brasileiros”, busca apenas o lucro. Esse lucro não alimenta a todos.

Hoje o Brasil tem fome. Somos um dos países que mais exporta grãos. Mas metade da população sofre insegurança alimentar. Precisamos nos perguntar. O que conta mais? É a vida ou o negócio? É a sobrevivência humana? É a natureza? Ou o lucro financeiro sob a Terra, um lucro que expulsa os pequenos produtores e degrada o planeta?

Essa é a reflexão que devemos empreender durante esta semana. Precisamos discutir um novo modelo para a produção de alimentos. Um modelo conectado à Terra como um ente vivo, como uma mãe que nos nutre. Se não fizermos essa transformação, não haverá chances de futuro para todos. Sem alimentos não vamos viver.

Leonardo Boff é filósofo e professor.



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