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Opinião
Segunda - 27 de Dezembro de 2021 às 15:37
Por: Rosana Leite Antunes de Barros

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Esse é um tipo de violência muito frequente e que sempre aconteceu contra as mulheres. É dela, da mulher, todo o protagonismo do parto. O momento será marcado para todo o sempre na vida da família.

A mulher, após descobrir a gestação, começa a se preocupar como será a chegada do rebento, do parto. E justamente nesta hora que muitas delas acabam passando pela temida violência obstétrica.

Não é possível um conceito único para o termo, mas, qualquer situação que venha causar constrangimento, humilhação, ou a agressão em si, pode se configurar. A cada situação diferente, onde a mulher não se sente acolhida e dona do seu corpo e parto, é possível vislumbrar a violência obstétrica.

A influenciadora Shantal Verdelho mencionou que se pode levar um tempo para a parturiente perceber que sofreu esse tipo de violência. Ela somente foi se dar conta do ocorrido quando assistiu ao vídeo que o marido gravou. A adrenalina é real. O que a mãe e o pai buscam é ver o filho ou a filha com saúde e bem.

Fica evidente que pessoas agressivas se aproveitam da ocasião de fragilidade das partes para cometerem o delito. E o momento do parto é um desses.

A influenciadora foi chamada pelo obstetra de uma série de xingamentos e expressões violentadoras como “viadinha”, “mimada”, “faz força, porra”.

Shantal ainda relata que não aceitou se submeter à episiotomia, e o médico a forçava, chamando-a de mimada. Segundo a vítima, o médico ainda comentou com o marido que ela havia ficado com a parte íntima – vagina -, totalmente acabada.

O que a mulher tomou conhecimento, para sacramentar a violência, é que o “profissional” contou para várias pessoas que ela tinha ficado “arregaçada”.

Há quase 13 anos atrás, como muitas mulheres, não percebi ter sido vítima de violência obstétrica. Também fiz questão absoluta do parto normal. Esperei todos os sinais, o momento do bebê, e o meu momento. Tudo esperado para a grande hora!

O parir, tendo como principais a mãe e o filho. Lembro-me de ter feito três grandes forças e o meu filho coroado. Na quarta força, quando a médica assim me pediu, fez um sinal para a enfermeira que estava a acompanhando, e ela imprimiu força no início da barriga, momento em que aconteceu o nascimento. Também a nada percebi.

Criança nasceu, chorou, está com vida, felicidade! Passado um tempo, menos de um mês do ‘dar nascimento’, passei a rememorar todo o dia. Causou-me incômodo aquela enfermeira fazendo certa força em minha barriga. Pesquisei e descobri que se cuidava de uma manobra proibida pela medicina há muito tempo: a “manobra de Kristeller”.

A OMS proíbe tal movimento, que inclusive já foi o suficiente para expulsar órgãos internos de mulheres, e causar danos irreparáveis nos rebentos. Para finalizar o que passei, a médica se dirige ao meu marido e o questiona se gostaria que me fizesse uma laqueadura naquele momento, sem que a dona do corpo fosse consultada. O meu marido imediatamente a responde: “não, ela não combinou isso com a senhora”.

De fato, essa é uma ocasião diferenciada e importante na vida da mulher, do pai quando acompanha, e da criança. Porém, é depositada certa confiança naqueles e naquelas profissionais, e, como disse a influenciadora/vítima, que deve ser lembrado com alegria e positividade, para não marcar o início da vida da criança com lembranças ruins.

O que deve ser premissa é que o parir precisa ser tranquilo, sem intercorrências a causar constrangimentos e memórias desagradáveis. As mulheres, pela dor física da dilatação, pelo temor em algo não sair como o esperado, costumam esquecer fatos desses dias. Todavia, rememorar e agir é primordial para evitar novos episódios criminosos. O caso, da Shantal, já está sendo investigado, como deve ser.

Rosana Leite Antunes de Barros é defensora pública estadual.



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