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Opinião
Quinta - 07 de Julho de 2011 às 00:03
Por: Kleber Lima

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No início do governo Blairo Maggi, em 2003, um caso chamaria a atenção da equipe do novo governador – a maioria sem muita história no poder público – e também da imprensa: uma simples nota de site com ilações sobre o envolvimento de uma secretária adjunta da Setec (na época ainda não tinha o ‘s’) levou o governador a exonerar a pessoa, que depois acabou voltando para o cargo, já que nada se provou que comprometesse sua atuação no cargo.

Essa atitude do governador viria a se repetir várias vezes, atingindo até um compadre seu, que respondia a um processo criminal que não guardava qualquer relação com o cargo público que ocupava na Sicme. (Poupo os nomes para não submeter as pessoas a novo constrangimento).

No debate interno do governo, alguns assessores tentaram demonstrar ao governador que se uma nota de site era suficiente para derrubar uma secretária adjunta, seria razoável considerar que quando um jornal ou TV publicasse uma manchete denunciando ao algo contra o governador ele teria que renunciar sumariamente ao cargo, para ser coerente com seu critério. Era um alerta do perigo que estava causando a si mesmo.

Blairo manteve-se irredutível na sua linha do “denunciou, dançou”, alegando que ele próprio havia pedido à imprensa que o ajudasse a fiscalizar seu governo, levantando tudo que encontrasse, e tornando público. Foi mais ou menos nesse diapasão da falta de jeito com um critério esquisito de ética pública que se produziu a famosa “Caixa Preta” com denúncias incompreensíveis e inverídicas sobre seu antecessor, Dante de Oliveira.

Como era de se imaginar, o rígido critério não durou por muito tempo, a ponto de Blairo admitir que teria chorado quando estourou o escândalo dos maquinários, no finalzinho de seu governo. Fora outros inúmeros casos que não ganharam tanta repercussão, mas que lhe mostraram que, na prática, a teoria do seu primeiro critério ético era outra.

Por aquele critério de 2003, Blairo teria de ser o primeiro a exigir, no momento presente, a renúncia de Luiz Antonio Pagot do Dnit, o que não fez. Mas também não o defendeu publicamente. Já Dilma, lembrando o Blairo iniciante, acabou adotando seu mesmo critério, segundo se pode concluir até o momento, sacrificando os envolvidos sumariamente, por uma reportagem de revista.

Não sei qual Blairo está certo, se o de 2003 ou de hoje em dia. Sei apenas que a Caixa Preta contra Dante nunca existiu, foi fruto da imaginação de uma equipe mais ingênua e inconseqüente do que mal-intencionada. Sei que os assessores afastados ingenuamente em 2003 carregam mágoas até hoje.
Sei que Dilma vai mostrando ao Brasil que é muito diferente de Lula, embora seja sua parceira. Sei que Silval deveria aprender mais com Dilma e com o Blairo de 2003, retirando apenas o espasmo de ingenuidade, porém, copiando sua firmeza e resolução em suas posturas.

Sei especialmente que Mato Grosso se ressente profundamente da ausência da figura de um líder político como o foi Dante de Oliveira -, que também enfrentou problemas de corrupção em seu governo, mas não se omitiu no papel de figura central de seu governo.

Sem Dante, Mato Grosso ficou sem oposição, sem debate qualitativo, sem alternativa conseqüente, permitindo que aventureiros daqui e d’alhures se insurgissem como novas “autoridades”, mas não conquistam nenhum respeito público, porque, de fato, não se dão ao respeito próprio.

Sem Dante, parte da oposição se rendeu ou capitulou, e outra parte se desorientou. Sem Dante, adversários que se uniam para enfrentá-lo, hoje formam alianças ou se dividem em disputas nada republicanas, relegando a política, o bom combate, a eventos passados, a apenas história.

Mato Grosso vai mal, senhoras e senhores, quando temas relevantes são deixados de lado pelas novas “lideranças”, ou quando decisões estratégicas são tomadas á revelia da sociedade, às escondidas, determinadas pelo interesse meramente pecuniário e, pior, sem resistência institucional ou política.

Faz cinco anos que Dante se foi, deixando um deserto político com sua ausência, o que nos cria a impressão que voltamos a viver numa terra sem lei, sem compostura, sem dignidade, sem respeito, tomada pelo cinismo. Avanços retrocedem. Seus herdeiros políticos, especialmente Antero, Thelma e Wilson Santos, não foram capazes de manter sequer sua memória, quanto mais suas conquistas.
Sei também Dante merece mais que ser apenas nome de rua e tema de redação de escola de bairro.

(*) KLEBER LIMA é jornalista, consultor de marketing e diretor do site HiperNoticias. E-mail: kleber@hipernoticias.com.br


Autor

Kleber Lima

KLEBER LIMA é jornalista e secretário de Comunicação da Prefeitura de Cuiabá

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