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Opinião
Quinta - 30 de Junho de 2011 às 16:02
Por: Lourembergue Alves

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O VLT é o modal escolhido. Embora seu custo seja bem superior que o do BRT. Isso “pesa”. Mas não o bastante. Pois o que contam mesmo, no aspecto de mobilidade urbana, são a característica moderna e a comodidade. Ainda que o atual transporte coletivo continue em cena. Este não desqualifica aquele, o qual também não aposenta os ônibus. Ambos existirão um ao lado do outro, a serviço da população. 
 
Aliás, foi o “pensar” na população que “levou” a AGECOPA e o governador a optarem pelo Veículo Leve sobre Trilhos. Detalhe “vendido” pela publicidade oficial. O que seduz a opinião pública. Porém, não evitou que o Executivo regional fosse atropelado – fato corriqueiro por aqui – e o usuário, ignorado como sujeito de opinião. 
 
O contribuinte, no entanto, não se manifestou, nem reivindicou o direito de opinar entre a adoção ou do BRT ou do VLT. Comportamento inadequado em um regime democrático. Situação que, por outro lado, facilita as coisas para o governador – que se mostra incapaz e, pior ainda, não tem interesse em dialogar com a sociedade. Certamente porque o chefe do Executivo estadual age sempre, ou quase sempre de improviso. Foi este procedimento que o motivou a viajar para a cidade do Porto, Portugal, onde pudesse ver o funcionamento do VLT. Tanto que não levou nenhum especialista na comitiva que chefiou. Razão pela qual inexiste qualquer estudo técnico sobre o modal mais adequado para Cuiabá e Várzea Grande. Recomendação, aliás, feita pelo saudoso Bento Porto, via relatório. 
 
De todo modo, a escolha foi oficializada. O BRT, que antes era tido como certo, cedeu lugar ao VLT. Isso se deu com toda a pompa. Inclusive com coletiva a imprensa. Quando deveria ser uma ação – a escolha – normal, rotineira, sem precisar quaisquer estardalhaços. 

Desse cenário, podem-se extrair lições extraordinárias. Lições que podem servir para avaliar o trabalho realizado tanto pela AGECOPA quanto pelo governo. Três coisas se sobressaem de todas elas, a saber: (1º.) A diminuição do peso político do senador Blairo Maggi na atual gestão, uma vez que o ex-governador se encontra entre um dos maiores defensores do BRT, e, dizem, ter preparado toda a papelada para que o BNDS concedesse o empréstimo para viabilizar o dito modal. Isso, porém, não significa dizer que a atual gestão deixou de ser “de transição” ou de “continuidade”. Afinal, são bastantes presentes as pegadas do antigo na então administração. (2º.) É forte o poder do presidente da Assembléia Legislativa, José Riva, dentro do governo, pois foi este deputado que iniciou e alargou a defesa do VLT. Tamanho poder de convencimento! A ponto, inclusive, de desbancar os argumentos do ex-governador e seduzir gente que parecia convencido de que o BRT era o melhor. (3º.) Apesar disso, até agora não se tem um estudo técnico sobre o VLT. A ida de uma comitiva a Portugal não passou de viagem-turismo, bancada com dinheiro público.  
 
Quadro revelador. Mais ainda quando se percebe que inexiste planejamento, e o conjunto das ações governamental é alicerçada pela improvisação. Pois faltam o peso e o contrapeso de uma administração pública, que, em linhas gerais, se resumem em dois fatores: o técnico e o político. Fatores que, infelizmente, se fazem ausentes do governo estadual. Daí os desacertos e os atropelos persistentes. 

Lourembergue Alves
é professor universitário e articulista de A Gazeta, escrevendo neste espaço às terças-feiras, sextas-feiras e aos domingos. E-mail: Lou.alves@uol.com.br.  


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