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Opinião
Quinta - 23 de Agosto de 2012 às 09:30
Por: Lourembergue Alves

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 Foi acirrada a disputa pela prefeitura de Cáceres. O ano era 2008. Oportunidade em que a oposição apostou todas as suas fichas em Túlio Fontes. Único, naquele momento, com forças o bastante para destronar Ricardo Henry. O corpo a corpo e os ataques pessoais marcaram aquela eleição. Bem mais do que as outras realizadas na década. Com alguns partidários de ambos a se atacarem mutuamente. Longe, porém, de se transformarem em esgrimistas. Tal papel, aliás, não foi desempenhado pelos protagonistas. Os dois, desacompanhados de qualquer assessoria técnica, improvisaram tudo.

Inclusive nas ações inapropriadas. A contratação irregular de servidores foi uma delas, e a mesma que levou a cassação do registro de candidatura do prefeito reeleito, depois de certa contenda jurídica. 

 Esta contenda, contudo, não serviu de guarda-chuva para esconder a outra que se travou no tablado da política municipal, a qual não se restringiu a luta pela prefeitura. Pois estava em jogo, igualmente, o poderio político do lugar. Assim, a cassação de Ricardo e a posse de Túlio Fontes na chefia da administração pública local, portanto, resultaram em perdas significativas para os Henry – já meio combalidos pelas denúncias que apontam o cacique do PP/MT como um dos envolvidos, e que se viu ainda mais enfraquecido com o aparecimento do PSD, pois este atraiu para suas fileiras progressistas importantes.  

 Quadro que poderia ser favorável a Túlio Fontes. Este, no entanto, mal assessorado, cometeu erros primários e não soube fazer da prefeitura um escoadouro das necessidades populares ou ponto de encontro dos munícipes. Os desgastes acumularam. Isso elevou o índice de rejeição, o que inviabilizou a sua recandidatura, e, inclusive, impediu-o de assumir a condição de articulador na eleição deste ano. 

 Percebe-se, então, uma dada lacuna. Brecha que permitiu a antiga briga partidária, iniciada dentro do PP, se estender igualmente no espaço doméstico. Cáceres, então, passou a ser palco também das disputas entre José Riva (PSD) e Pedro Henry (PP). Foi, inclusive, em torno destas que se consolidaram os dois casamentos político-eleitorais, a saber: “O Futuro Começa Agora” (PSD, PRB, PDT, PTN, PRTB, PMN, PSB, PV, PRP, PC do B, PT do B) e “Cáceres no Rumo ao Desenvolvimento” (PMDB, PSDB, PP, PTB, PSC, PR, DEM, PSDC, PHS, PTC).

Nesta última coligação, o candidato cabeça de chapa é o peemedebista Francis Maris, que tem como companheira a tucana Eliene Liberato. Isso, de certa forma, traz a luz a real situação dos Henry no tablado de xadrez da política. Nada animadora. Pois, sequer, conseguiram fazer de um de seus integrantes candidato a vice-prefeito. Possibilidade bastante cogitada no início do ano, porém descartada mesmo antes das convenções partidárias, em razão do enfraquecimento político de Pedro Henry, que acaba por respingar na sua própria sigla. Ainda que a coligação PP/PMDB/PTB venha a fazer a maior bancada da Câmara Municipal, com quatro vereadores.

Retrato de vereadores que pode ser reprisado pelo PSD. Partido político que briga pela prefeitura, com o médico Leonardo (prefeito) e Anne Viegas (vice).

Briga não definida. Ainda que as candidaturas petistas (Edson Penha, prefeito, e Janio, de vice), sem coligação, não ofereçam perigo algum.

Mas, uma coisa se tem certeza: há um vácuo de liderança na política cacerense, cujo preenchimento pode ocorrer a partir dos resultados das urnas de 2012, sem a interferência costumeira dos Henry e de Túlio Fontes – dois adversários que não fazem a leitura correta do desenho político que encontra a suas frentes.  

Lourembergue Alves é professor universitário e articulista de A Gazeta, escrevendo neste espaço às terças-feiras, sextas-feiras e aos domingos. E-mail: Lou.alves@uol.com.br


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