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Opinião
Terça - 12 de Junho de 2012 às 20:44
Por: Carlos Fávaro

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​Mato Grosso recebe, desde a última segunda-feira, o VI Congresso Brasileiro de Soja, um evento realizado pela Embrapa Soja, e que este ano tem a Aprosoja como correalizadora. O tema escolhido cai perfeitamente para o nosso estado: “Soja: fator de integração nacional e desenvolvimento sustentável”.  Os números e a história não mentem. O desenvolvimento da região Centro-Oeste tem dois grandes marcos: a construção de Brasília, em 1960, e a introdução da cultura da soja a partir da década de 80.

Na época da construção da capital federal, o Centro-Oeste representa menos de 1% do PIB nacional, com apenas três milhões de habitantes. O impacto da construção de Brasília na região foi imenso e na década de 80, o PIB dobrou, alcançando cerca de nove milhões de pessoas. Após a chegada da soja até os dias atuais, a participação do Centro-Oeste no PIB nacional dobrou mais uma vez e a população acompanhou este crescimento.

Não é à toa que a chamamos a soja de grão milagroso. A cultura foi a responsável pela mecanização nas lavouras brasileiras, pela modernização do sistema de transportes, pela profissionalização e incremento do comércio internacional, por expandir a fronteira agrícola brasileira, pelo fomento às pesquisas no setor agrícola, pela industrialização dos produtos e pela interiorização da população.

Foi também um dos principais fatores para que mais carne chegasse à mesa do brasileiro e o principal, que chegasse mais barata. Atualmente, o complexo soja é uma das principais fontes de divisas do país, representando 10% das exportações totais.

Ainda precisamos considerar outros fatores que auxiliaram este desenvolvimento, como a criação da Embrapa, em 1973, e a construção de importantes rodovias federais, tais como a BR-163, a BR-070 e a BR-364, que proporcionaram a migração e ocupação de estados antes desabitados, no centro do país.

Porém, a integração por si só não faria sentido se não fosse o modelo de desenvolvimento que o setor soja trouxe. Urbanização das cidades do interior, a descentralização da agroindústria nacional e o aumento no número de empregos diretos e indiretos. A cultura da soja gera 1,5 milhão de empregos diretos e indiretos no Brasil. Em outras palavras: mais renda à população das regiões onde há lavouras deste grão tão pequeno, mas tão rico em tantos aspectos.

Para se ter uma ideia da contribuição da soja para o desenvolvimento sustentável do Brasil e, em especial, de estados como Mato Grosso, é só olhar os números históricos dos municípios mato-grossenses.  Cidades como Campo Verde, Sorriso, Primavera do Leste, Rondonópolis, Nova Mutum, Sinop, Lucas do Rio Verde, Tangará da Serra, entre tantas outras, se desenvolveram com forte participação da soja na economia. E temos também exemplos assim em Goiás, como Jataí, em Mato Grosso Sul, com Chapadão do Sul. São cidades que possuem um Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) acima da média nacional.

Junto com o grão da oleaginosa, vieram todos os benefícios agregados à sua produção, evidenciando como clusters podem se formar onde há lavouras do grão. Com a produção do grão, as cidades recebem indústrias, e com elas, são viabilizados empregos diretos, aumenta a demanda por comércio, e assim, há a criação de empregos indiretos. Com mais população, chega a necessidade de mais infraestrutura na cidade, mais escolas, mais saúde e mais lazer.

Cuiabá, a capital de Mato Grosso, é também um excelente exemplo de como os investimentos gerados no campo retornam para a cidade. A cidade é hoje um centro de referência para o agronegócio mato-grossense e cresceu junto com os demais municípios do interior, recebendo pessoas de todos os cantos do país e se transformando em uma cidade multicultura. Não é a toa que foi escolhida para ser uma das cidades-sede para a Copa do Mundo de 2014.

E a soja também contribui para isto, pois com os recursos do Fethab, imposto recolhido em cima da comercialização da saca do grão, entre outros produtos, diversas obras de melhoria da infraestrutura viária da cidade estão sendo feitas. Só em 2011, o segmento soja contribuiu com quase R$ 107 milhões com o Fethab. É o segundo setor que mais contribui, ficando atrás apenas do óleo diesel.

Na área ambiental, a introdução de tecnologias e melhorias de gestão propiciou um ganho de 100% de produtividade nas lavouras nos últimos 30 anos, permitindo que poupássemos 11 milhões de hectares, só na região Centro-Oeste. E a Embrapa teve grande contribuição para isto. E com a chegada de uma unidade em Mato Grosso conseguiremos avançar ainda mais no aprimoramento e desenvolvimento de novas tecnologias, garantindo a produção de alimentos com redução de custos e impactos ambientais.

Precisamos agora construir aquele que será o terceiro grande marco do desenvolvimento do Centro-Oeste. Nada me tira da cabeça que este novo período passa obrigatoriamente pela implementação de novos projetos logísticos, principalmente no estado de Mato Grosso. Destaco, por exemplo, como obras prioritárias, a Ferronorte até Rondonópolis, a FICO, até Água Boa, e posteriormente Lucas do Rio Verde, hidrovias, como a do Juruena-Teles Pires-Tapajós, e rodovias como a BR-163, até Santarém, no Pará, a BR-158 e a BR-080, que vão permitir conectar o estado aos portos do Arco Norte do país.

A soja é, portanto, um fator de integração nacional e desenvolvimento sustentável. Estamos apenas começando a traçar essa história, muitas coisas boas ainda virão. Vamos acompanhar e nos certificar que teremos desenvolvimento sim, porém, sempre com muita responsabilidade e sustentabilidade.

*Carlos Fávaro é produtor rural em Lucas do Rio Verde e presidente da Aprosoja.



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