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Opinião
Quinta - 18 de Março de 2010 às 04:19
Por: Kleber Lima

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A Rádio Cultura de Cuiabá completa hoje 50 anos de transmissões ininterruptas em Cuiabá e todo o pantanal mato-grossense. Na conta do tempo cronológico, é mais nova apenas que a Rádio a Voz D’Oeste, fundada na década de 1930. Contudo, em função da crise do rádio brasileiro com o surgimento das novas mídias, em especial a televisão e posteriormente a internet, a Rádio Cultura de Cuiabá é, atualmente, a única rádio AM de Cuiabá que se mantém no ar com programação aberta e local, durante as 24 horas do dia.

Esta não é uma data qualquer. É resultado de uma verdadeira saga. Foi por meio dos microfones da RCC que a assim chamada Baixada Cuiabana conheceu ou tomou conhecimento de grandes fatos dos últimos 50 anos. O improviso, característica marcante do rádio pioneiro, e o entusiasmo e a criatividade de inúmeros profissionais criaram uma relação de amor desta emissora com as populações de Cuiabá, Várzea Grande, Santo Antonio de Leverger, Barão de Melgaço, Poconé, Livramento, Jangada, Acorizal, Chapada dos Guimarães, e até ainda mais longe, como Diamantino, Barra do Bugres, Campo Verde, e até em todo o território mato-grossense, nas diversas cadeias e/ou redes estaduais de rádio já realizadas pela Rádio Cultura ao longo de todo esse tempo.

Governadores, prefeitos, deputados, senadores não eram eleitos sem serem sabatinados pela sociedade por meio dos profissionais da Rádio Cultura. No mínimo, precisavam ir até a emissora para se legitimarem, após eleitos.

Grandes profissionais do passado e do presente da imprensa mato-grossense já emprestaram suas vozes e seus talentos à RCC. Alguns se destacaram tanto que ascenderam a cargos eletivos, como Roberto França, Luiz Mário, o Luma, Antero Paes de Barros, Gilson de Oliveira, Márcio de Arruda, Ivo de Almeida, Francisco Miranda, entre outros.

Sob o comando e controle acionário de Fauser Antonio do Santos durante 28 anos (37 ao todo sob o controle da sua família, até os dias de hoje), a Rádio Cultura de Cuiabá modernizou-se e forçou a modernização do rádio mato-grossense, praticamente no padrão existente até hoje. Ou até melhor, em função da já mencionada crise que se abateu sobre essa mídia ao longo do tempo, com a escassez de verbas publicitárias, situação que provocou um êxodo dos profissionais de rádio, em especial rádio AM, para os jornais, TVs, e outras mídias.

Há mais, muito mais, a se falar sobre os 50 anos da Rádio Cultura de Cuiabá. O exíguo espaço de um artigo de jornal não seria suficiente. Livros inteiros talvez não o seriam.

Fiz o intróito para falar de hoje, do momento atual do rádio brasileiro, mato-grossense, cuiabano. Assumi a direção geral da emissora em janeiro passado. É magnífico viver nesse universo do rádio, conhecer com experientes profissionais como Willian Gomes, Sebastião Siqueira, Carlos Roberto Mortadela, Lucas Neto, Dirceu Carlino, entre outros que ainda estão na Rádio Cultura de Cuiabá ou em via de retornar, a verdadeira história do rádio mato-grossense, suas histórias, experiências ímpares. É magnífico criar novas experiências, perceber na prática como é imediata, instantânea, a resposta dos ouvintes a programação, a entrevistas, a comentários, a notícias. É extraordinário como esse universo simbólico construído entre locutor e ouvinte é vasto, impetuoso, afetuoso, cúmplice.

Estou feliz pela oportunidade de me juntar à Família Rádio Cultura de Cuiabá, assumindo o leme desse barco pelo qual já passou tanta gente boa da comunicação mato-grossense. Buscamos na própria história construída pela RCC a direção e o rumo para essa retomada do rádio cuiabano, revitalizando-o, recuperando sua força e seu prestígio, estreitando cada vez seus laços com o povo simples dos bairros, mas também com os chamados formadores de opinião, produzindo informação de qualidade, em real time, valendo-nos das novas tecnologias e da convergência das mídias.

Adotamos como missão “ser a mais legítima porta-voz da comunidade cuiabana e pantaneira”, e nossos valores são o “compromisso com a comunidade”; a “valorização da cultura cuiabana e pantaneira”; e a produção de um “jornalismo preciso, equilibrado e responsável”. Tudo isso sintetizado no slogan: “Rádio Cultura de Cuiabá. Toca Tudo. Toca Você”. Almejamos com essa postura honrar a memória de Fauser Santos e de tantos bons profissionais que pela rádio já passaram, e também entrarmos para a história da Rádio Cultura de Cuiabá por estarmos presentes nesse momento ímpar de virada do rádio cuiabano. Parabéns Rádio Cultura pelos seus 50 anos.

 

(*) KLEBER LIMA é jornalista e Diretor Geral da Rádio Cultura de Cuiabá. E-mail: kleberlima@terra.com.br



Autor

Kleber Lima

KLEBER LIMA é jornalista e secretário de Comunicação da Prefeitura de Cuiabá

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