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Opinião
Sexta - 13 de Março de 2015 às 13:59
Por: Vicente Vuolo

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Os caminhoneiros de todo o Brasil se mobilizando por melhores condições de trabalho e contra a alta do combustível, promovendo greves, carreatas e manifestações por todo lado, mostram que o modelo de desenvolvimento que prioriza o transporte rodoviário já não serve mais ao país.

O Brasil, ao longo de mais 80 anos, não investe pesado em ferrovias, sofrendo prejuízos incalculáveis. Uma cultura “rodoviária” que se formou ao longo de décadas. Lamentavelmente, não há interesse político e burocratas desconhecem totalmente o assunto. Para eles o varejo é mais importante.

Ou seja, pensar sempre no próximo governo. E não, na próxima geração. É uma política que infelizmente coloca o interesse a reboque do poder econômico e das multinacionais.

O resultado desse modelo de transporte capenga, de vender carros para entupir as cidades como se entope esgotos até ficar bem podre de poluição, de vender caminhões para engarrafar as estradas, é o caos, com a paralisação do transporte, com perda de tempo e de mercadorias. "Mais estarrecedor, é assistir no plenário do Congresso, pra não dizer de outras Casas Legislativas, o desinteresse total em resolver o problema"

Mais estarrecedor, é assistir no plenário do Congresso, pra não dizer de outras Casas Legislativas, o desinteresse total em resolver o problema. Nenhuma voz no Congresso se levanta em defesa de um transporte mais barato, econômico e seguro.

Apenas, algumas manifestações tímidas que não trazem consequências. Parece que é proibido falar em ferrovia - oposição e governo – que não enxergam a tragédia que estão construindo. Afinal, asfalto, carro, caminhão, pneu, é um estímulo ao consumo cada vez maior de petróleo e ao desequilíbrio ambiental.

Existe no país uma inversão de prioridades. Prioridade para duplicar estradas, prioridade para concessões de rodovias, prioridade para vender carros e caminhões, isenção de impostos para implantar fábricas de automóveis, diminuição de IOF para veículos, e se esquecem de que as ruas das cidades não aumentam, que o petróleo é finito, e fazem vista grossa para o desequilíbrio ambiental.

E Isso não é só política pública desde governo. São mais de oito décadas de governos que promoveram a retirada de trilhos e o sucateamento das ferrovias no Brasil.

É bom que se diga que não se trata de ser contra a rodovia ou o automóvel. Mas, a favor do equilíbrio no sistema de transporte no país. Assim, como não existe nas cidades brasileiras um planejamento para priorizar o transporte publico VLT, metrô, bondes elétricos, trens de superfície.

Também, não existe um Plano Nacional Ferroviário tanto para transporte ferroviário de passageiros (Trem de Grande Velocidade) como para transportar cargas.

Como seria maravilhoso se a maioria dos brasileiros que pretendessem conhecer melhor as cidades brasileiras fizesse a opção de viajar de trem. Não dependesse do carro ou ônibus – extremamente cansativas.

E longe da passagem cara do avião, o táxi até o aeroporto, a taxa de embarque e o limite de bagagem.

Se até em países “inimigos” existe consenso sobre a ferrovia: União Soviética, a Transiberiana corta o país gigante.

Nos EUA, a ferrovia Leste-Oeste convive com o país do automóvel. Por que no país-continente chamado Brasil não pode ter?



Autor

Vicente Vuolo

VICENTE VUOLO é economista (UnB), pós-graduado em Ciência Política (UnB), ex-vereador em Cuiabá e analista legislativo do Senado Federal

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