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Opinião
Sábado - 19 de Janeiro de 2019 às 10:52
Por: Oscar D"Ambrosio

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A existência de homens que construíram a sua carreira literária sobre o trabalho de suas mulheres não é totalmente uma novidade. Basta lembrar o caso da francesa Colette, recentemente transformado em filme, literalmente explorada pelo marido sob os mais diversos aspectos.

O romance que inspira o filme “A esposa”, dirigido por Björn Runge, trata dessa questão. A obra cinematográfica é muito valorizada pelas atuações de Glenn Close e Jonathan Pryce, que trazem ao espectador um drama de uma trajetória literária baseada numa fraude, apimentada pelo filho adolescente em crise e um ameaçador biógrafo.

O eixo da ação é a viagem do casal e do filho para Estocolmo, onde o escritor receberá o Prêmio Nobel de Literatura. É no momento da glória que as contradições de uma vida vêm à tona. Ela mal suporta ver as adulações sobre o marido e ouvir os elogios ao seu trabalho irem para os créditos dele.

Ele, por sua vez, imaturo, com múltiplas traições à esposa no currículo, surge como criança deslumbrada perante a honraria sueca. O desgaste da relação é evidenciado a cada cena numa caminhada para um desfecho trágico, em que parece haver uma acomodação do caos, algo que, curiosamente, a vida parece fazer a cada instante.

Oscar D’Ambrosio é jornalista pela USP, mestre em Artes Visuais pela Unesp, graduado em Letras (Português e Inglês) e doutor em Educação, Arte e História da Cultura pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e Gerente de Comunicação e Marketing da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo.



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