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Opinião
Quarta - 18 de Setembro de 2019 às 09:54
Por: Gonçalo Barros de Antunes Neto

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Debruçando sobre as grandes questões existenciais, a adequação, não dos sonhos, mas a sua própria liberdade em sonhar, à realidade de tudo quanto pudemos intuitivamente sopesar como possível acontecer, temos no mundo inteligível (mundo das ideias – Platão) seu ápice.

Não pode ser diferente. No mundo material, sensível, portanto, já concebemos, ‘a priori’, a possibilidade ou não da empreitada, do sucesso quanto ao interesse manifestado sobre o objeto, ou o ‘plano’, enquanto vontade.

Assim, essa reflexão não seria possível sem considerar o fato de que o que dá sentido aos anjos (somente para exemplificar) não são seus corpos e, sim, a ideia que se tem deles.

Seria possível viver, e feliz, sob a autoridade da realidade material sem sequer divisar uma ideia que ponha cobro à insensibilidade?

Quem muito pode amar, muito pode odiar. A intensidade não pende somente para um lado da balança

Interessante esta passagem de “Crime e Castigo’: ... ‘ela gosta muitíssimo mais de ti do que de si mesma. Ela é um anjo; e tu, Rodka, tu, para nós, és tudo... Toda a nossa ilusão, toda a nossa esperança’... (Dostoiévski).

Um anjo, porque abnega; e ilusão, sonha e tem esperança. Quem sorri frente às pedras e não sonha diante do brilho das estrelas?

Sendo uma das virtudes teologais, a esperança faz o homem e a mulher transcender o presente em direção ao futuro (Bloch). Imagine alguém sem ilusão, sonho e esperança? Um ‘chato’, um cruel defensor do pessimismo como forma de vida (de ciência é explicável, sempre).

A par disso, o homem e a mulher são livres para realizar o próprio projeto existencial. Aliás, condenados a ser livres (Sartre). Ser livre é muito mais sentença que dádiva, pois, a responsabilidade dali advinda são irrefutáveis, não há argumento explicativo que subsista. Lhes serão acrescentados cultura, paixão, desilusão, ideologia, classe etc., tornando-se o que são, e são histórias de si mesmos.

Quem muito pode amar, muito pode odiar. A intensidade não pende somente para um lado da balança.

Nesta terra que nasce e renasce num eterno devir, deve-se ter em mente que a escolha é atributo da vontade que o é da liberdade. Mas a vontade, absolutamente e de forma implacável, é a única imortal.

Que a história de cada qual se encha de esperança e utopia. No mínimo, caminhará.

Nas lições de Jonathan Silva, ‘Samba da Utopia’:

Se o mundo ficar pesado/Eu voi pedir emprestado/A palavra poesia/Se o mundo emburrecer/Eu vou rezar pra chover/Palavra sabedoria/Se o mundo andar pra trás/Vou escrever num cartaz/A palavra rebeldia/Se a gente desanimar/Eu vou colher no pomar/A palavra teimosia/Se…

É por aí...

GONÇALO ANTUNES DE BARROS NETO é juiz em Cuiabá



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