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Opinião
Quarta - 16 de Outubro de 2013 às 22:35
Por: Gabriel Novis Neves

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De tão maléfico, este sentimento é classificado pelo catolicismo como um dos sete pecados capitais, e tem acompanhado a humanidade através da sua trajetória pela terra, aliás, muito bem descrito desde os tempos bíblicos, quando Caim matou Abel.

Quanto mais infeliz alguém, mais a inveja pode inundá-lo.

O sofrimento decorre de constatarmos no outro algo que não temos.

Oscar Wilde já dizia: “A cada bela impressão que causamos, conquistamos um inimigo. Para ser popular, é indispensável ser medíocre”.

Fala-se, inclusive, na chamada inveja branca - que não existe. É apenas uma tentativa para desmistificar os inúmeros danos causados por esse sentimento. Seria uma espécie de admiração não comprometedora pelos atributos de alguém, ou seja, uma inveja positiva, se é que isso possa ocorrer.

Pessoas que, tal como num espelho, lembrem ao invejoso as suas carências, sejam elas sobre sexo, beleza, sucesso, poder, liberdade, experiência, personalidade, inteligência, dinheiro - são sempre as mais visadas.

Relações humanas cada vez mais difíceis são a tônica do mundo atual, em que os mecanismos competitivos se tornaram cada vez mais evidentes.

Em função da propaganda maciça lançada de uma maneira subliminar pelas mídias, o ser humano passou a invejar até o que não é invejável, exemplificando: corpos esquálidos, celebridades fajutas, gosto musical duvidoso, literatura de má qualidade, enfim, tudo que as indústrias da moda impingem como sucesso.

No mundo financeiro isso toma proporções alarmantes, todos se acotovelando por um lugar ao sol no mundo do dinheiro.

Inveja e vaidade nadam nesse mar de angústias.

Com certeza, quando Caim matou Abel, os interesses em jogo não eram sequer parecidos aos que nos habituamos a valorizar nos dias de hoje.

Existe quase sempre no ar uma nuvem de desconfiança relativa aos reais motivos de quem de nós se acerca. Enquanto nossos antepassados se abriam para o mundo, nós, cada vez mais, nos ensimesmamos, tornando-nos verdadeiros caramujos sociais.

Isso já é uma comprovação no mundo moderno.

Eu, pessoalmente, concordo com Sêneca quando ele diz que evitamos a inveja se guardarmos as alegrias para nós mesmos.

Penso que grandes alegrias e grandes tristezas não podem ser compartilhadas.

Gabriel Novis Neves



Autor

Gabriel Novis Neves

foi o primeiro reitor da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT); é médico gineco (ginecologista e obstetra)

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