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Opinião
Domingo - 05 de Setembro de 2021 às 05:30
Por: Renato de Paiva Pereira

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São grandes as chances de as manifestações do próximo 07 de setembro, convocadas pelo governo, exibirem nas ruas das maiores cidades do País, um grande número de pessoas.

No momento que escrevo, não sabemos ainda se a oposição vai fazer um contraponto no mesmo dia, convocando seguidores, ou se manterá o seu protesto, como inicialmente programado, para o próximo dia 12. Torço para que os movimentos sejam feitos em dias diferentes, porque o risco de confronto é muito grande, caso pessoas ideologicamente contrárias, se encontrarem nas ruas, neste momento politicamente perturbado.

Entretanto, o número dos participantes – situação e oposição – não dará a medida dos potenciais votos que cada candidato – Lula e Bolsonaro – terá nas urnas, pois é percentualmente muito pequena a parcela de eleitores disposta a manifestar-se, em relação à população. Mas o barulho provocado por eles, tem o dom de realimentar as bases e dar mote para as mídias sociais.

Dizem que os jornalistas são especialistas em generalidades – o que é apenas um dito espirituoso, posto que especialidade sugere aperfeiçoamento e estudo de coisas específicas. A semelhança do jornalista com o especialista, eu acho, é que o primeiro aprimora-se na arte extrair dos experts, opiniões sobre vários assuntos, que depois sintetiza para oferecer ao público.

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São grandes chances de manifestações exibirem grande número de pessoas

Como articulista pode, de repente, ser confundido com jornalista, fica feita a ressalva, admitindo o risco de meter-me em assunto que compete aos analistas políticos ao concluir que estas manifestações podem servir para algumas coisas. Uma delas seria criar evidências de superioridade numérica para confrontar os institutos de pesquisa de opinião, sempre que apresentarem resultado desfavorável a qualquer parte.

Entretanto, pode haver também, vinda do governo ou de seus militantes mais fanáticos, uma ação planejada para o protesto desandar, produzindo uma falsa necessidade de intervenção da força.

Há pois, razões de sobra para estarmos preocupados nestes dias que antecedem o 07 de setembro, mesmo porque, antevendo o risco de uma condenação pelos supostos crimes cometidos durante a pandemia - preocupações que o presidente expressou nesta última semana – não custaria buscar apoio nas forças armadas para eventual quartelada.

Para agravar a possibilidade de punição de Bolsonaro e aumentar o risco de golpe, foi apresentada ao Tribunal de Haia, uma acusação de crime contra a humanidade, cometido pelo Presidente, recusando-se a comprar vacinas no tempo oportuno, negando meditas de proteção mundialmente recomendadas, estimulando concentrações que ajudaram a disseminar a doença e receitando remédios que não curam a covid.

Em setembro de 1992 os jovens brasileiros pintaram o rosto para protestar contra o Collor, que acabou caindo. As situações de aceitação popular de Collor e Bolsonaro são muito diferentes, mas não custa lembrar que falta de popularidade tirou o fanfarrão de caçador de marajás, depois defenestrou a tosca Dilma e que a aprovação do Bolsonaro cai a cada dia.

Não precisa ser especialista para concluir que esse disparate do Presidente, alegando que não daria o golpe em si mesmo, não se sustenta: o objetivo da sedição, seria não permitir a posse do adversário, diante de eventual derrota eleitoral.

O impeachment, ele sabe, ainda é pouco provável, embora diante das recorrentes bravatas presidenciais, fique cada dia menos impensável.

Renato de Paiva Pereira é empresário e escritor.



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