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Opinião
Quarta - 30 de Março de 2022 às 10:15
Por: Caiubi Kuhn

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Quando se fala em universidade, o mais comum é a pessoa associar com a atividade de ensino, que é realizada nos cursos de graduação e pós-graduação. Porém duas outras atividades também fazem parte da rotina universitária, sendo elas a pesquisa e a extensão. Este texto abordar sobre a segunda delas, e irá apresentar alguns desafios e oportunidades que estão postos para os próximos anos.


Antes de mais nada, para situar o leitor, o que é extensão?


São ações e projetos que visam proporcionar o contato entre a universidade e a sociedade, por meio de cursos, palestras, eventos, atividades culturais, esportivas, de popularização da ciência, valorização de saberes e conhecimentos populares entre muitas outras. Nestes projetos, estudantes, professores e técnicos, se dedicam a levar ações para os mais diversos locais.


Durante o período mais crítico da pandemia, era comum pessoas dizerem erradamente que a universidade estava parada e fechada, porém mesmo nesta época, projetos de extensão como o Projeto Geoparque possibilitaram desenvolvimento de cursos, palestras, entre outras ações que atenderam milhares de pessoas. Outros projetos também se empenharam em criar alternativas para ajudar a superar este momento crítico da história da humanidade.


Os diferentes cenários encontrados em ações de projetos em extensão, exigem da equipe, em especial do aluno, dinamismo para encontrar soluções para problemas, e proporciona uma ampla visão social sobre o estado e o país. A extensão além de atender demandas da sociedade, também possibilidade um importante espaço de formação para estudantes da graduação e pós-graduação.


Apesar de ser desenvolvida desde os primórdios da universidade, a extensão assume uma nova dimensão após a publicação da resolução do Conselho Nacional de Educação 07/2018, que estabeleceu que as atividades devem compor, no mínimo, 10% (dez por cento) do total da carga horária curricular. A resolução colocou o prazo de 3 anos para implementação desta medida. Ou seja, a partir do ano de 2022 todo aluno da universidade deverá realizar ao menos 10% da carga horária do curso em atividades de extensão.
A curricularização da extensão traz com ela grandes desafios. O primeiro deles é a universidade se reorganizar para o significativo aumento de número de projetos, pois agora todo estudante deverá participar de inúmeros projetos para alcançar a carga horário necessária. Para cursos de engenharia, por exemplo, que possuem um total de mais de 3600 horas, isso representará, ao menos 360h. Desta forma, a universidade precisa estar preparada para registrar, acompanhar e certificar uma grande demanda de projetos.
O segundo desafio vem junto com uma oportunidade. O orçamento da universidade possui uma pequena quantidade de recursos destinados a extensão, que mesmo antes da curricularização, já não era suficiente para demanda existente. O novo cenário irá demandar por muita articulação da universidade em busca de parceiros no setor público, no terceiro setor e na iniciativa privada, para buscar financiamento para viabilizar os projetos de extensão. Somente assim, as ações poderão chegar até os locais que mais precisam, além de atender as mais diversas demandas sociais.


Os desafios e oportunidades estão postos, cabe agora aos gestores das universidades buscarem os melhores caminhos e soluções. A extensão faz parte do tripé da universidade. As ações nela desenvolvidas proporcionam acesso à cultura, esporte, formação continuada, popularização da ciência entre muitas outras importantes formas de conexão entre a comunidade universitária e sociedade plural que compõem o povo mato-grossense e brasileiro.


Caiubi Kuhn, Professor na Faculdade de Engenharia (UFMT), geólogo, especialista em Gestão Pública (UFMT), mestre em Geociências (UFMT) e também Conselheiro do Crea-MT.



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