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Opinião
Terça - 19 de Julho de 2022 às 08:48
Por: ONOFRE RIBEIRO

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Na última sexta-feira, 15, tive o privilégio de proferir uma palestra pra cerca de 80 jovens no Encontro de Lideranças da Ordem De Molay Mato-grossense, realizado no palácio maçônico do Grande Oriente do Estado de Mato Grosso, em Cuiabá.

A Ordem De Molay é o braço jovem masculino da maçonaria. É uma porta de entrada para futuros maçons, com boa formação sobre os princípios da instituição.

Trago o assunto porque fiquei muito impressionado com o que vi. Jovens entre 15 e 20 anos vindos de todos os capítulos onde estão organizados no estado de Mato Grosso. Normalmente, uma palestra pra jovens nessa faixa etária deve ser curta e dita numa linguagem bem simples.

Considera-se que jovens nessa faixa etária são muito dispersivos e não fixam a atenção por muito tempo.

Fui com essa percepção. Mas no canto do Hino Nacional na abertura, mudei essa leitura. Os jovens cantaram alto e com uma enorme força. Eu esperava que eles cantassem o hino com o tédio que imagina-se serem uma marca deles.

Não. Ao contrário. Cantaram com o peito aberto e com força. Sem nenhuma vergonha de estarem pagando mico por cantarem o hino da pátria, como tem sido propagado ultimamente em todas as faixas da juventude.

Por conta disso, arrisquei-me a uma palestra convencional de 40 minutos, com fala pausada e frases curtas. Bem objetivas. De fácil compreensão e linkando tema com tema, de modo a construir um raciocínio forte e lógico.

Sem power point. Apostando no poder de comunicação da fala. Fui monitorando, minuto a minuto e fixando o olhar fortemente sobre todos eles. Ao mesmo tempo, monitorava os seus movimentos nas cadeiras. Muito movimento é sinal de cansaço. É hora de parar.

Conclusão. Passei dos 40 minutos com a atenção total de todos eles e dos adultos que assistiam. Percebi que ao contrário da lenda, a juventude não é burra. Não é alienada. E muito menos desinteressada dos temas da política e da economia. Mudei muito ali o meu olhar sobre os jovens. O tema foi o Brasil e o Mato Grosso do futuro à luz da atual crise mundial.

Mas saí com uma forte preocupação. Eles precisam de linguagem adequada na família, na sociedade, na escola e principalmente na política. Pelo que conheço, sei que esse tipo de informação que recebem vem em pacote de jornal velho. Percebi que eles estão prontos para responsabilidades maiores, desde que devidamente informados e motivados. Sei que na escola a política que lhes é ensinada vem em embalagem velha. Ou cheia de ideologias que não lhes dizem nada.

Teve um jantar depois e me sentei com vários deles. Visão clara de responsabilidades cívicas e empreendedoras. Nenhum com visão de obter estabilidade do serviço público. O que é um enorme avanço. A maioria empreendedora.

Confesso que aprendi muito mais do que eventualmente ensinei. Embora seja só um nicho de rapazes filiados à Ordem De Molay, fica bem claro que os jovens estão prontos pra receberem missões pra vida. Falta o discurso certo. Talvez seja esse o desafio. Que, aliás, é muito menor do que o de motivá-los. Nisso eles já estão prontos!!!!!!

Onofre Ribeiro é jornalista em mato Grosso.



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