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Opinião
Quarta - 06 de Março de 2024 às 00:55
Por: Rosana Leite Antunes de Barros

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Berta Isabel Cáceres Flores, nasceu em La Esperanza, em 04 de março de 1971, tendo sido assassina dois dias antes de completar 45 anos, em 2016. Foi ativista ambiental de Honduras e líder indígena.

Pertencia ao grupo étnico mesoamericano Lenca, em Honduras. Teve a inspiração na mãe, que foi prefeita, governadora, parteira e ativista em prol de refugiados de El Salvador. Se tornou defensora ferrenha do meio ambiente, motivo de arestas criadas, pois pressionou construtores de barragens em rios locais a retirá-las.

A heroína Berta Cáceres fundou conselhos e organizações em apoio do seu povo. Liderou campanhas que protestavam contra a extração ilegal de madeira, e também contra a plantação realizada através de pessoas escravizadas. Foi feminista e apoiadora incondicional dos direitos LGBTQIAPN+, incomodando muito pessoas que discordavam do enfrentamento a problemas sentidos por pessoas vulneráveis.

Cáceres, sem qualquer temor, aliás, característica de pessoas que enfrentam violências e preconceitos, investigou o financiamento de barragens por empresas que dominavam o mercado financeiro. O povoado de Lenca do Rio Branco a alertou quanto aos males que seriam trazidos à população com a construção de barragens: comprometimento do acesso à água, transporte de alimentos e materiais usados pela medicina, e demais cuidados ancestrais.


O Rio Gualcarque, localizado no oeste de Honduras, e que estava sendo prejudicado, é considerado sagrado para a comunidade indígena Lenca. A ativista percebeu que a vida de muitas pessoas seria impactada, e se movimentou para que acontecesse um protesto, levando o fato para a Comissão Interamericana de Direitos Humanos. Depois de um tempo, foi incluída pela própria Comissão Interamericana de Direitos Humanos na lista de pessoas amaçadas, por conta das inúmeras intimidações que estava recebendo.

Na época afirmou: “O exército tem uma lista de assassinatos de 18 lutadores pelos direitos humanos com meu nome no topo. Eu quero viver, há muitas coisas que eu ainda quero fazer neste mundo, mas nunca considerei desistir de lutar pelo nosso território, por uma vida com dignidade, porque a nossa luta é legítima. Eu tomo muitos cuidados, mas no final, neste país, onde há total impunidade, eu sou vulnerável... Quando eles quiserem me matar, eles vão fazer isso.”

Berta sabia que se deixasse de enfrentar a violência hondurenha, que se intensificava diariamente, não conseguiria ver a democracia no local. Recebeu a maior honraria em homenagem a militantes em defesa da justiça socioambiental: o Prêmio Front Line Defenders, em 2015. Foi assassinada na madrugada de 2 para 3 de março em 2016, por homens que invadiram a sua casa.

Dois homens foram presos e condenados pela morte da ativista. Entretanto, as investigações apontaram pessoas que ocupam cargo de alto escalão, e que possuem poder financeiro, que, segundo consta, acabaram não respondendo pelo grave crime.

Berta enfrentou poderosos e lutou bravamente para defender os direitos do seu povo. Foi assassinada no mês de março, de tanta representatividade para as mulheres. Esse foi mais um daqueles crimes em que alguns “determinaram” o tempo que uma pessoa de tamanha importância para os direitos humanos deveria continuar vivendo. Mataram a mulher, mas a sua voz sempre ecoará.

É dela: “Você tem a bala, eu tenho a palavra. A bala morre quando detonada: a palavra vive ao ser replicada.”

Rosana Leite Antunes de Barros é defensora pública estadual e mestra em Sociologia pela UFMT.



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