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Opinião
Sábado - 11 de Junho de 2011 às 08:25
Por: Lourembergue Alves

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2010 não foi um bom ano para o PT/MT. Saiu enfraquecido das urnas. Até porque perdeu a cadeira no Senado e, recentemente, ficou sem a vaga que mantinha na Câmara Federal. Tudo em razão das ambições políticas individuais de seus dois maiores líderes. Foram estes os responsáveis pela divisão interna, que extrapolou os limites doutrinários das tendências existentes, de cuja consequência ainda não é de toda sabida. Pois as perdas sentidas não se restringem a subtração de postos eletivos, nem apenas aos distanciamentos daqueles que sentem desapontados com o atual rumo da agremiação. Mas, igualmente, com a diminuição do poder de barganha dos petistas no cenário político-eleitoral da região.

Essa situação, na verdade, é resultante das outras perdas, e o conjunto destas faz com que os petistas mato-grossenses ocupem menos espaços no tabuleiro de xadrez da política estadual. Daí a diminuição que se aludia no final do parágrafo anterior. O diminuir que não tem sentido figurado, nem metafórico. Mas melancólico. Pois, de fato, a sigla passa a pior fase da sua história. Mais ainda do vivido nas eleições de 2008, quando a cúpula regional ignorou o posicionamento do diretório cuiabano, e selou a aliança com o PR. O que levou dezenas de seus filiados a votarem no candidato tucano, sem, contudo, negarem suas verdadeiras cores partidárias. 

De lá para cá, os ânimos continuaram acirrados. Evidenciados com as disputas internas. Sempre entre o grupo do ex-deputado Carlos Abicalil e o da ex-senadora Serys Marly – com cada qual a ter por perto subgrupos, que funcionam como uma espécie de agregados, com o fim de não se distanciarem em demasia da arena partidária central. É nesse sentido que pode compreender o papel desempenhado pela chamada Terceira Via. A mesma que se posicionou contrária a expulsão da ex-senadora, acusada que fora de “infidelidade partidária”. Acusação patrocinada pelo grupo do ex-deputado, cujo interesse maior, de acordo com o noticiário, era tirar de cena o seu principal rival interno. Não que o grupo da professora também não tivesse o mesmo desejo contra seus adversários. Tinha como ainda tem. E a próxima briga pelo poder de mando do partido no Estado irá deixar isso mais e mais claro. Afinal, o ano vindouro já bate à porta. Com ele as disputas municipais – objetos de desejos e de ambições pessoais. Isso torna o PT igualzinho como os outros partidos, com suas oligarquizações regionais. 
 
Quadro que tem como suporte as gamelas. E é no interior desse quadro que aparecem as cisões, dissidências e o processo de fritar uma ou outra liderança, sob o batuque de “fortalecer a agremiação”. Aliás, foi exatamente esse batuque que se ouviu quando do “não respeito à candidatura natural”, em detrimento da própria história da sigla, acompanhado do refrão – fora do tom – de ampliar o número de cadeiras na Câmara Federal. Possibilidade existente apenas com a candidatura a reeleição do professor Abicalil. Afirmação repetida um sem número de vezes nesta coluna. Bem antes, e durante a disputa interna pela vaga de candidato do partido ao Senado. Prevaleceu, no entanto, a ambição política individual ou grupal. A mesma ambição que levou o PT/MT ao seu enfraquecimento. 
 
Enfraquecimento que pode se tornar ainda mais acentuado com o prosseguimento da queda de braços entre os referidos dois grupos petistas. Sendo que a melhor das iniciativas se encontra em direção contrária, com tudo a ver com o recolhimento dos cacos, do reordenamento das fileiras partidárias e a reaproximação entre as correntes distintas. Tarefas dos verdadeiros líderes.  

Lourembergue Alves é professor universitário e articulista de A Gazeta, esxcrevendo neste espaço às terças-feiras, sextas-feiras e aos domingos. E-mail: Lou.alves@uol.com.br.           


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