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Opinião
Quarta - 09 de Março de 2011 às 11:58
Por: Gabriel Novis Neves

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É o que o governo do Estado fez ao cortar 300 milhões do Orçamento Geral do Estado (OGE).

O corte foi linear, correndo em cima de uma régua. Não foram analisados prioridades e serviços essenciais, e, sim, a altura permitida pelo OGE.

Isto significa que, durante alguns meses, os fornecedores do Estado não irão receber o que têm direito por serviços já prestados.

Faltarão medicamentos para os pacientes do SUS e gasolina para transportar aqueles do interior do Estado que necessitam de serviços médicos em Cuiabá.

As crianças da rede pública de ensino ficarão sem aulas nas cidades, por falta de salas de aulas, carteiras e professores e, na zona rural, pelo corte no programa de transporte escolar.

A nossa vulnerável segurança pública ficará com as suas velhas e obsoletas viaturas paradas nos pátios das delegacias por falta de recursos para manutenção e gasolina.

Só não faltarão recursos para o pagamento da obesa e sofisticada remuneração para poucos, por dispositivo legal, chamada lei da responsabilidade fiscal.

Isso é bater, e forte, para produzir hematomas. Gelo e tempo fazem desaparecer.
Como a secretaria de comunicação social é a única que não entrou no corte,

continuamos a receber, pela maioria da mídia, notícias alvissareiras do governo.

Um exemplo para tapar o sol com a peneira: fevereiro tem apenas vinte e oito dias.

A mídia nos informa, como boa notícia, que o pagamento do funcionalismo será antes do dia 30.

Uma demonstração de que o governo atual herdou muito dinheiro no caixa do tesouro do Estado.

É o conhecido assopra, depois do bate - tão consagrado e desmoralizado entre nós.
Daí a origem da expressão - bate e assopra.

Justiça se faça: essa prática não é invenção do atual governo.

Por ser um governo de continuidade de coisas que estavam dando certo, nada foi ainda mudado.

“O tempo é o senhor da verdade”, dizia o caçador de marajás.

Para se mudar uma tradição como o bate e assopra, às vezes, se leva séculos.

Os pobres são os mais atingidos pelo bate e assopra - que funciona como um placebo para os menos favorecidos.



Autor

Gabriel Novis Neves

foi o primeiro reitor da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT); é médico gineco (ginecologista e obstetra)

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