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Opinião
Sexta - 17 de Dezembro de 2010 às 01:20
Por: Carlos Alberto de Almeida

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É impressionante que a votação do Congresso Nacional seja ágil nos casos em que o interesse é o próprio bolso, enquanto numa escala desigual, trabalhadores de todo o Brasil sofrem para encostar o salário mínimo nos singelos R$ 600.

No último dia de votação efetiva na Câmara, o plenário aprovou o projeto de aumento de 61,83% nos salários dos próprios parlamentares, de 133,96% no valor do vencimento do presidente da República e de 148,63% no salário do vice-presidente e dos ministros de Estado. O projeto iguala em R$ 26.723,13 os salários dos deputados, dos senadores, do presidente da República, do vice e dos ministros do Executivo. Esse é o mesmo valor do salário do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), que serve como teto do funcionalismo público.

No meu segundo mandato de presidente do Sindicato dos Servidores Públicos Federais de Mato Grosso (Sindsep-MT) fico, mais uma vez indignado com as mazelas do Governo e registro aqui meu repúdio. A desigualdade é tanta, que nós somos obrigados a fazer greves e manifestações para ver se conseguimos, ao menos, uma conversa amigável para rever o reajuste de nossa categoria e, em muitos setores, em valores que se encontram defasados há décadas.

Por que é tão injusto? Somos cidadãos que estamos na linha de frente do trabalho do executivo com a população. Somos pais de famílias e lidamos com o dia a dia do funcionamento desse Brasil da desigualdade.

Essa desigualdade discorre em um efeito cascata, sentido na falta da educação, na precariedade as saúde e, consequentemente na violência sofrida pela população. Na contramão do reajuste exorbitante de nossos políticos eleitos, o ministro Paulo Bernardo, disse que o Ministério do Planejamento deslocou 15 técnicos para trabalhar no corte de gastos do Orçamento de 2011, a sugestão de cortes é de R$ 8 bilhões para o próximo ano, incluindo que acordos com servidores federais não serão cumpridos e a precariedade das condições de trabalho serviço público só tende a piorar.

De onde virá esse dinheiro para encher o bolso de quem nós elegemos? O efeito cascata não para e mais parlamentares serão beneficiados. O aumento salarial provocará um reflexo nas Assembleias Legislativas dos Estados e nas Câmaras Municipais.

Os deputados estaduais poderão aprovar uma lei para receber até 75% do valor pago aos deputados federais e os vereadores poderão fixar os seus de 20% a 75% do valor dos deputados estaduais, dependendo do número de habitantes do município. Em 2007, os parlamentares reajustaram seus salários em 28,5%, que repôs a inflação acumulada de quatro anos.

Ainda é tempo de defender a bandeira do povo e rejeitar o aumento seja na esfera municipal, estadual ou federal. Mas, desde agora fica aqui nossa decepção com o que já se iniciou.


Carlos Alberto de Almeida
é presidente do Sindsep-MT



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