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Opinião
Sexta - 20 de Agosto de 2010 às 18:19
Por: Lourembergue Alves

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Outro dia, em entrevista ao MT-TV, o candidato Mauro Mendes acusou seus adversários de copiarem seus programas. Mais precisamente “a criação da Secretaria das Cidades”. Não é a primeira vez que o socialista se vale de tal expediente. Quando disputou a prefeitura de Cuiabá, em 2008, pelo PR, também veio a público para denunciar seus concorrentes de plagiarem dois ou três de seus projetos. Certamente na tentativa de desqualificá-los. Artimanha interessante. As dezenas de e-mails recebidos por esta coluna lembraram essa estratégia. 

Acontece que, no passado, dificilmente se podia provar esse tipo de plágio. Pois inexistia qualquer documento a respeito. Diferentemente, portanto, de agora. Isso porque, a partir deste ano, os postulantes à chefia do Executivo são obrigados a registrarem seus programas de governo. O prazo para o dito registro, nesta eleição, se expirou no dia 5 de julho. Imediatamente depois, todas as propostas foram disponibilizadas no site da Justiça Eleitoral, e se encontram lá para que o eleitor possa ler, reler e analisar cada uma delas. 

Exercício necessário. Da responsabilidade de todas as pessoas. Embora se saiba que a imensa maioria dos eleitores, jornalistas e dos analistas descarta a tal tarefa. O que levaram muitos destes a acreditarem piamente na denúncia feita pelo socialista-candidato. 

Pois bem! Uma a uma das linhas que compõem o conjunto das propostas de governo do senhor Mauro Mendes foi analisada. Inexiste no referido conjunto qualquer referência a “criação da Secretaria das Cidades”; assim como igualmente não há a dita menção nos programas do tucano Wilson Santos e do representante do PSOL, Marcos Magno.  

O único candidato ao governo do Estado de Mato Grosso, portanto, que propõe, realmente, a criação dessa secretaria é o peemedebista Silval Barbosa. Podendo ser consultada a qualquer momento, e com a maior facilidade. Basta que o (e) leitor-internauta se dirija a página 42 do programa da Coligação “Mato Grosso em Primeiro Lugar”, no qual se pode ler o seguinte: “Transformar a Secretaria de Assuntos Estratégicos na Secretaria das Cidades”. 

Nesse caso, invertem-se os papéis: o acusado é o autor da proposta e o plagiador, o próprio denunciador. O que torna a situação ainda mais grave. Pois quem copia proposta de outro, e a divulga como sendo suas comete “erro” gritante, além de desrespeitar as regras do jogo e quebra a confiança do eleitor nele depositada.

Isso pode resultar em perda de credibilidade. Mesmo em uma disputa eleitoral que, na verdade, também é movida pela emoção, alicerçada no personalismo e no envolvimento dos votantes pelos discursos dos candidatos.

Agora, quando os candidatos, ou um deles se vê pego “com a mão na botija” pode ter prejuízos políticos irreparáveis. Sobretudo em um calendário apertado como o é o da campanha eleitoral deste ano. Assim, os deslizes cometidos podem resultar em perdas de votos, os quais farão uma falta tremenda na apuração final.

De todo modo, vale acrescentar, dentro da academia ou fora dela, independentemente de qual seja o referido ambiente, mesmo que venha a ser o tabuleiro de xadrez da política, o copiar proposta ou programas é sempre um “deslize” imperdoável. Com a palavra, o (e) leitor – responsável pela avaliação das ações dos políticos.  


Lourembergue Alves é professor universitário e articulista de A Gazeta, escrevendo neste espaço às terças-feiras, sextas-feiras e aos domingos. E-mail: Lou.alves@uol.com.br.  


Autor

Lourembergue Alves

LOUREMBERGUE ALVES é professor universitário e articulista

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