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Opinião
Terça - 17 de Agosto de 2010 às 11:27
Por: Lourembergue Alves

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O emocional está presente em uma disputa política. Sempre foi assim. Inclusive no período em que se colocavam frente a frente udenistas e peessedistas, ladeados por petebistas. Época em que, também, a eleição era personalizada. Votava-se, como agora, para o candidato, não para o partido. Pouquíssimos eram os votos que tinham a sigla como norteadora. Da mesma forma que ocorre hoje. Ainda que se tenha, a partir deste ano, a obrigatoriedade de cada candidato, à chefia do Executivo, registrar seu programa de governo. Medida interessante. Não só pelo lado organizacional e de planejamento. Mas, igualmente, pela possibilidade que o eleitor tem de ler e analisar o que está registrado.

Exigência da própria necessidade do ato de escolha. Acontece, porém, que é baixíssima a procura por tal "informação" no site do TSE. As pessoas preferem acompanhar o que dizem os postulantes. Estes, pelo seu turno, passam a fazer as mais diversas promessas. Independentemente se tais promessas estão ou não contempladas no documento registrado na Justiça Eleitoral. O que demonstra ausência do respeitar e, o que é pior, falta do planejar. Verbos imprescindíveis. Quando conjugados corretamente fazem a diferença em uma administração pública.

Ao contrário do que se vê nos discursos das candidaturas ao governo do Estado de Mato Grosso. O socialista-empresário, por exemplo, registrou um programa, porém não é esse que ele leva para sua campanha. Optou-se por defender aquilo que acha conveniente para o momento, até mesmo em função do que prometem seus concorrentes.

Mais habilidoso com as palavras sem conteúdos, à moda gorgiana, e escorregadio como ninguém, o ex-prefeito cuiabano anuncia uma "salada mista", misturando promessas que a disputa exige com meia dúzia de propostas que registrara no TRE-MT.

Ao contrário do representante do PSOL. Este, na imensa maioria das vezes, se perde todo, quando não tropeça nas próprias palavras. E olhe que o documento registrado não excede a três páginas. Mas lhe falta o dom de decorar. Arte, o da decoreba, que faz parte da rotina de campanha do tucano e do socialista, os quais só fazem questão de repetir o diagnóstico do governo. Não todo o diagnóstico. Mas somente os trechos que lhes são mais convenientes, deixando de fora os avanços da então administração.

Já o peemedebista possui o melhor programa de governo. É o mais completo. Porém, o candidato à reeleição não o explora como deveria. Prefere se dedicar um tempão para discorrer sobre as ações em andamento, deixando de lado o seu complemento, que, na verdade, é o conjunto de suas propostas, registradas no último dia 5 de julho.

Justifica-se, portanto, no seu programa de governo, a aplicação do ampliar, acelerar e prosseguir. Pois tais verbos têm significados específicos e bem definidos. Pois ninguém amplia algo que ainda nem sequer se iniciou, muito menos acelera ou prossegue com uma dada ação inexistente. Até mesmo o mudar carece dessa existência. Isso porque mudança alguma parte do zero.

Nesse sentido, vale repetir, o eleitor precisa desviar o seu olhar do que dizem os candidatos para os programas registrados no TRE-MT. Leitura sempre acompanhada da reflexão e da avaliação. Afinal, não é só a emoção que sustenta uma disputa.


Lourembergue Alves
é professor universitário e articulista de A Gazeta, escrevendo neste espaço às terças-feiras, sextas-feiras e aos domingos. E-mail: lou.alves@uol.com.br



Autor

Lourembergue Alves

LOUREMBERGUE ALVES é professor universitário e articulista

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