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Agronegócios
Quinta - 23 de Setembro de 2010 às 11:02
Por: Juliana Royo

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A qualidade da produção de leite brasileira é crescente e muitos produtores atingiram patamares excelentes. No entanto, esta boa qualidade pode não estar chegando na indústria nem refletindo em uma melhora dos derivados lácteos. Isso está acontecendo porque ainda não existe uma coleta seletiva do leite, baseada na qualidade do produto. As rotas de transporte levam em conta apenas proximidades geográficas e custo de frete, além disso as indústrias também não estocam o leite de forma diferenciada. O que acontece na prática é que os derivados não correspondem a alta qualidade do leite produzido nas fazendas porque o produtor de ótimo padrão tem o seu produto misturado a um inferior, de uma propriedade vizinha, por causa da rota dos caminhões.

A doutora em ciência animal Mônica Maria Oliveira Cerqueira, professora da Escola de Veterinária da Universidade Federal de Minas Gerais, será uma das palestrantes do IV Congresso Brasileiro de Qualidade do Leite, que acontece em Florianópolis, Santa Catarina, entre os dias 22 a 24 de setembro. Ela propõe que as indústrias levem em conta a qualidade final dos derivados e passem a fazer rotas qualitativas, em que caminhões passariam em propriedades que têm o mesmo nível de qualidade de leite, além de criarem estoques diferenciados. Mônica está orientando uma tese de doutorado na UFMG em que será avaliado o impacto qualitativo e econômico da coleta seletiva do leite.

— O transporte e a coleta de leite precisa ser revista no Brasil porque tradicionalmente ela tem sido feita baseando-se exclusivamente em distância e custo de frete. É preciso refletir sobre novas propostas de coleta considerando a qualidade como ponto fundamental. Na medida em que uma indústria faz uma coleta em uma rota e ela mistura o leite de boa qualidade com o de qualidade insatisfatória, todo o trabalho que o produtor fez é perdido no momento desta captação que não diferencia o leite pela qualidade. Nossa proposta é diferenciar esta coleta para que a indústria tenha um rendimento melhor e uma qualidade melhor dos seus derivados. É muito importante que a indústria tenha uma infra-estrutura também para poder acondicionar e estocar este leite para processamento diferenciado —  destaca Mônica.

Além de repensar as rotas de coleta do leite nas fazendas ela chama a atenção de que as indústrias também precisam se preparar para receberem este leite diferenciado. É preciso estocar o leite de maior qualidade em um ambiente diferente do leite inferior. É um investimento inicial que pode ser grande, mas pode ser compensado com a valorização dos produtos lácteos de alta qualidade. A produção de queijos e leite em pó valorizados pode significar ganhos maiores para a fábrica, além de aumentar o rendimento industrial.

— Precisamos refletir sobre isso porque muito tem sido feito em relação à produção primária. Os produtores estão se empenhando na fazenda, as indústrias estão orientando os produtores, mas houve poucas mudanças após a implantação da coleta à granel, que foi um passo extremamente importante. Houve poucas mudanças na questão da logística desta coleta. Muitos produtores estão produzindo leite com uma ótima qualidade, mas este trabalho pode estar sendo perdido no momento em que o leite que é coletado nesta fazenda é misturado com o leite de outra propriedade. É preciso traçarmos rotas que levem em consideração a qualidade do leite e não simplesmente a distância, custo do frete e volume — alerta.






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