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Sábado - 16 de Julho de 2011 às 07:41
Por: RENÊ DIÓZ

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Mato Grosso deixou de ser atrativo para migração no Brasil. A constatação é do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), que divulgou ontem estudo com base nos ciclos de 1999 a 2004 e 2005 a 2009 apontando queda no número de imigrantes e constatando, no último ciclo, que houve mais mato-grossenses deixando o Estado que forasteiros se instalando aqui. É o único Estado com saldo migratório negativo (mais emigrantes que imigrantes) do Centro-Oeste.

A pesquisa do IBGE aponta um cenário previsível. Com a expansão das fronteiras agrícolas no país, a década de 70 significou tanto uma explosão demográfica para Cuiabá quanto um fluxo migratório intenso de brasileiros de outros Estados para as regiões produtivas de Mato Grosso. Parte significativa dos atuais 141 municípios se deve a esse processo, que se desacelerou depois de meados da década de 80.

Os números do IBGE traduzem as últimas etapas dessa história. Entre 1999 e 2004, Mato Grosso ainda podia ser considerado um Estado de média absorção migratória, com pessoas chegando principalmente do Paraná, Mato Grosso do Sul, Rondônia, São Paulo e Goiás.

Neste ciclo de cinco anos, o IBGE apontou que 192.691 pessoas se instalaram no Estado – concentrando-se principalmente nas regiões de Cuiabá e de produção agropecuária, como as cidades no caminho das rodovias federais BR-163 e BR-158. Quase 3% dos imigrantes eram mato-grossenses voltando para casa.

Já no ciclo seguinte, de 2005 a 2009, o número de pessoas se estabelecendo em Mato Grosso caiu cerca de 60%. E, desse contingente reduzido, apenas 1,51% eram mato-grossenses retornando ao Estado, que deixou de ser uma área de média absorção migratória para ser apenas uma área de rotatividade migratória.

No sentido inverso, o número de mato-grossenses deixando o Estado cresceu quase 12%. No ciclo de 1999 a 2004, o IBGE identificou 81.011 emigrantes, número que passou a ser 90.654 no ciclo seguinte.

Analista sócio-econômica do IBGE em Mato Grosso, Milani Chaves da Silva observa que o Censo de 2010 já apontava que o Estado deixara de ser atrativo a ponto de brasileiros de outras regiões fazerem as malas. Isso começou a ficar mais claro a partir de 2005, mas Milani pontua que Lucas do Rio Verde (a 354 km de Cuiabá), assim como outros municípios menores e em franca expansão econômica no país, foi notoriamente atrativo para migrantes de 2007 a 2010.

Por isso a analista crê que uma especificação de dados por municípios (os números divulgados pelo IBGE levam em consideração regiões e unidades da federação) poderia expressar muito mais sobre os fluxos migratórios no país.

Nacionalmente, o IBGE apontou diminuição nos fluxos migratórios entre as regiões do país, destacando a queda da atratividade do Estado de São Paulo e a região Nordeste deixando a condição de principal área de emigração.





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