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Segunda - 28 de Março de 2011 às 10:07
Por: ISA SOUSA

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O senador Blairo Maggi (PR) admitiu, em entrevista à TV Senado, que, durante seu mandato como governador (2003-2010), ficou com a fama de maior desmatador do planeta, inclusive, ganhando o "prêmio" Motosserra de Ouro, do grupo ambientalista Greenpeace, em 2005. No entanto, ele garantiu que conseguiu reverter o desgaste de sua imagem, com disciplina e diálogo.

Para Maggi, os ambientalistas mais radicais costumam acreditar que qualquer forma de lidar com o Meio Ambiente significa ser contra ele.

"Os ambientalistas mais xiitas acham que todo mundo que precisa mexer no Meio Ambiente, interferir no setor, é contra ele. Não é verdade. O produtor rural precisa mexer na terra para produzir para a população, para gerar economia. Só que essa interferência tem de ser com responsabilidade", explicou.

O parlamentar lembrou da rigorosidade das leis ambientais brasileira e mato-grossense, como a manutenção das reservas legais, que, na Região Amazônica, por exemplo, chega a ser de 80%, e a proibição de desmatar próximo às margens dos rios.

Conforme Maggi, o problema do título de Motosserra de Ouro, que acabou repercutindo em âmbito mundial, tanto pelo fato de ele ser o maior produtor de soja do mundo como também, e principalmente, governador de Mato Grosso, não foi justa.

"O problema é que, quando assumi, a curva de desmatamento era fortemente uma ascendente. De 2002 para 2003, por exemplo, 11 mil km² foram ocupados. De 2003 para 2004, começamos a descer. Hoje, menos de mil km² por ano são ocupados para a pecuária e a agricultura", afirmou.

Apesar de não gostar de assumir algo que não era de sua responsabilidade, o senador não se eximiu, durante a entrevista, de ter enfrentado problemas ambientais, sem, no entanto, citá-los. Para ele, a transformação de sua imagem começou quando resolveu colocar, em uma mesma mesa de reuniões, ambientalistas e produtores rurais.

"Tive a sensibilidade de chamar os produtores e as organizações não-governamentais, que tanto nos criticavam. Falei para ambos: "Muito bem. Vocês querem mudanças e eu, também". Naquele momento, queria o respeito dos mercados nacionais e internacionais e, para tanto, teria de haver uma adequação ao novo momento", disse.

De acordo com Maggi, o início do diálogo não foi fácil, já que grande parte dos ambientalistas não acreditava em seu discurso de mudanças.

"Eles achavam que não deveriam falar com o Motosserra de Ouro, o homem que não abraçava árvores. Inventaram um monte de coisas sobre a economia de Mato Grosso e sobre mim também. Foi aí que comecei a fazer viagens internacionais e estar onde esses grupos estavam e mostrar que, na prática, estávamos mudando. Principalmente, com o programa MT Legal, que disciplinou todas essas questões", relembrou.

Outro ponto fundamental, segundo o senador, é que contra o mercado e ciência não é possível lutar, em referência o fato de quanto prejudicial pode ser o desmatamento ao longo do tempo, segundo estudos ambientais.

"Nós estamos fazendo a coisa correta hoje e fico feliz de ter invertido nossa posição. Não dá para ir contra os mercados e a grande opinião pública. Contra a ciência não dá para gente brigar. E eu, como governador, tive que encarar os fatos de frente e sem desculpas", disse.






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