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Opinião
Quarta - 13 de Maio de 2026 às 00:00
Por: Cristina Gama

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No dia 14 de maio, o Brasil celebra o Dia Nacional de Conscientização das Doenças Cardiovasculares na Mulher, uma data criada a partir de iniciativa da Sociedade Brasileira de Cardiologia para chamar a atenção para uma realidade que ainda é pouco conhecida pela população: as doenças cardiovasculares continuam sendo a principal causa de morte entre mulheres.

Quando se fala em saúde feminina, muitas pessoas imediatamente pensam na prevenção do câncer de mama ou do câncer do colo do útero : campanhas extremamente importantes e necessárias. Entretanto, o que muitas mulheres ainda não sabem é que o infarto, o AVC e outras doenças do coração matam mais mulheres do que diversos tipos de câncer somados.

O Departamento de Cardiologia da Mulher da Sociedade Brasileira de Cardiologia vem alertando há anos que existe uma falsa ideia de que as doenças cardíacas são predominantemente masculinas. Essa percepção equivocada faz com que muitas mulheres demorem para procurar ajuda médica, minimizem sintomas e, em alguns casos, recebam diagnóstico tardio.

Outro ponto importante é que os sintomas nas mulheres podem ser diferentes daqueles classicamente descritos nos homens. Enquanto muitos homens apresentam a típica dor forte no peito irradiando para o braço esquerdo, as mulheres podem manifestar sinais mais discretos e facilmente confundidos com ansiedade, estresse ou cansaço do dia a dia. Falta de ar, fadiga intensa, náuseas, palpitações, dor abdominal, desconforto nas costas e suor excessivo podem ser sinais de um infarto feminino.

Infelizmente, muitas mulheres colocam o cuidado com a própria saúde em segundo plano. Costumam cuidar dos filhos, dos pais, da casa, da profissão e da família inteira antes de olhar para si mesmas. Essa sobrecarga física e emocional, associada ao estresse crônico, sedentarismo, obesidade, hipertensão arterial, diabetes, colesterol elevado e tabagismo, aumenta significativamente o risco cardiovascular feminino.

Além dos fatores de risco tradicionais, a mulher apresenta condições específicas que também merecem atenção especial. Complicações durante a gestação, como pré-eclâmpsia e diabetes gestacional, menopausa precoce, síndrome dos ovários policísticos, doenças autoimunes e alterações hormonais podem aumentar o risco de doenças cardiovasculares ao longo da vida.

O mês de maio, portanto, torna-se um importante convite à reflexão. Cuidar do coração feminino não deve acontecer apenas diante dos sintomas, mas principalmente através da prevenção. Alimentação equilibrada, prática regular de atividade física, controle da pressão arterial, do colesterol e da glicemia, sono adequado, redução do estresse e abandono do cigarro continuam sendo as principais ferramentas para proteger o coração.

Mais do que uma campanha de conscientização, o dia 14 de maio representa um movimento de valorização da saúde da mulher. Informação salva vidas. Conhecer os sinais, entender os fatores de risco e estimular o acompanhamento médico regular pode fazer toda a diferença.

O coração da mulher merece especial atenção para continuar cuidando de todos, ela também precisa cuidar de si mesma.

Drª Cristina Gama - CRM MT 5698, RQE 10365, RQE 10366, RQE 122, Presidente SBC MT biênio 2026/27 Especialista em Cardiologia - SBC/AMB, ⁠Especialista em Ecografia pela SBC/AMB, ⁠Especialista em Clínica médica, Aperfeiçoamento em Ecografia na Mayo Clinic, EUA, Pós graduada em Cardiologia do exercício e do esporte – SBC, Médica responsável pelo primeiro exame de Ecocardiografia intra operatória em cirurgia cardíaca no estado de MT e Diretora técnica da clínica ICTUS Cordis check-up.



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