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Opinião
Quarta - 02 de Setembro de 2026 às 00:13
Por: Lucas Oliveira de Sousa

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Recentemente, participei, em Campinas, da 2ª edição do Business & Wine, promovido pela Thonon Advogados, encontro que reuniu empresários e lideranças para discutir cenários e transformações no ambiente de negócios. Como palestrante, abordei um tema que considero central para as próximas décadas: o novo papel estratégico do agronegócio brasileiro no mundo.

A agricultura deixou de ser apenas uma questão de produção e comércio. Clima, conflitos geopolíticos, segurança energética, disputas comerciais e acesso a fertilizantes recolocaram a produção de alimentos entre as prioridades estratégicas das nações.

E poucos países chegam a esse novo cenário com os ativos que o Brasil possui.

Construímos uma agricultura tropical altamente competitiva, baseada em ciência, tecnologia, recursos naturais e capacidade empresarial. Mato Grosso é uma das maiores demonstrações dessa transformação.

O próximo salto, entretanto, não será simplesmente produzir mais. Será transformar nossa capacidade produtiva em maior valor, influência e relevância estratégica.

Isso passa por agroindustrialização, biocombustíveis, fertilizantes e bioinsumos, tecnologia, atração de investimentos e maior inserção das empresas brasileiras nas cadeias globais.

Há também outro desafio. Em diferentes experiências e missões internacionais, tenho percebido uma aparente contradição: o mundo reconhece a importância do Brasil para o abastecimento global, mas ainda conhece pouco sobre a dimensão, a sofisticação e as oportunidades existentes no agronegócio brasileiro.

Precisamos mudar essa percepção.

O Brasil não deve ser visto apenas como fornecedor de commodities, mas como plataforma estratégica para investimentos, inovação e desenvolvimento de soluções para a agricultura tropical.

Isso exige também uma nova capacidade de leitura. China, clima, fertilizantes, energia, logística e geopolítica estão cada vez mais conectados. Para empresas, investidores e governos, compreender esses movimentos e antecipar suas consequências tornou-se tão importante quanto acompanhar produção, produtividade e preços.

Esse foi, inclusive, um dos méritos do Business & Wine da Thonon Advogados: criar um ambiente para que empresários e lideranças olhassem além das questões imediatas de seus negócios e discutissem transformações capazes de influenciar decisões e investimentos nos próximos anos.

No século XXI, agricultura não é apenas produção. É segurança alimentar, investimento, desenvolvimento e geopolítica.

Prof. Dr. Lucas Oliveira de Sousa

PhD em Ciências Agrícolas pela Universität Hohenheim, Alemanha, professor da UFMT, especialista em agronegócio e internacionalização.



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