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Opinião
Quinta - 11 de Junho de 2026 às 00:00
Por: Natasha Slhessarenko

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Nos últimos dias, vivi mais uma experiência que infelizmente se tornou comum para mulheres que ocupam espaços públicos: fui alvo de ofensas agressivas, ataques pessoais e mensagens tão violentas e degradantes que muitas delas sequer poderiam ser reproduzidas publicamente, incluindo manifestações desejando a minha morte por expressar uma opinião.


Diante da gravidade dos fatos, as medidas judiciais cabíveis já estão sendo adotadas. Não apenas por mim, mas porque nenhum cidadão, e nenhuma mulher, deve ser intimidada, ameaçada ou constrangida por participar do debate público.

O mais preocupante é que o debate já não gira em torno das ideias. Em vez de discutir argumentos, propostas ou soluções para os problemas que afetam a população, algumas pessoas escolhem atacar a mulher que ousou falar.

E é exatamente assim que a violência política contra a mulher se manifesta.

Muitos ainda acreditam que violência política acontece apenas dentro dos parlamentos, durante campanhas eleitorais ou em disputas partidárias. Mas ela também ocorre nas redes sociais, nos comentários anônimos, nas ameaças, nas tentativas de humilhação pública e nas campanhas de intimidação destinadas a afastar mulheres da vida pública.

Quando uma mulher entra na política, frequentemente ela não é julgada apenas pelo que fala. Julgam sua aparência, sua voz, sua família, sua vida pessoal. Muitas vezes tentam reduzir sua credibilidade por ser mulher. Outras vezes, recorrem à agressão verbal e à intimidação para fazê-la desistir.

Não se trata de um problema individual. É um problema coletivo e democrático.

A violência política contra a mulher não afeta apenas quem é atacada. Ela envia uma mensagem para todas as outras mulheres: “Este espaço não é para você”. E essa mensagem precisa ser rejeitada por toda a sociedade.

Em quase três séculos de história, Mato Grosso jamais elegeu uma mulher para governar o Estado. Somos um estado forte, pujante e cheio de mulheres competentes na saúde, na educação, no agronegócio, no empreendedorismo, na ciência e na gestão pública. Ainda assim, a presença feminina nos espaços de maior poder continua sendo exceção.

Isso não acontece por falta de capacidade. Acontece porque muitas mulheres enfrentam barreiras que os homens raramente precisam enfrentar.

Enquanto discutimos ataques nas redes sociais, mulheres seguem sendo vítimas de feminicídio. Enquanto algumas pessoas gastam energia espalhando ódio, famílias aguardam atendimento de saúde, cirurgias e exames. Enquanto tentam nos silenciar, os verdadeiros problemas da população continuam exigindo soluções urgentes.

Como médica, vejo diariamente o impacto da ausência de políticas públicas eficientes. Como professora, acredito no diálogo, no conhecimento e na construção coletiva. Como empresária, conheço os desafios da gestão e da geração de oportunidades. E como mulher, sei que nenhuma conquista veio sem enfrentar resistência.

Não escrevo estas palavras para pedir privilégios. Escrevo para defender respeito.

Respeito para as mulheres que escolhem participar da política.

Respeito para aquelas que desejam contribuir com ideias diferentes.

Respeito para quem pensa diferente, mas entende que democracia não se constrói com ódio.

Nenhuma mulher deve ser ameaçada, humilhada ou intimidada por ocupar espaços de liderança.

Porque quando uma mulher é atacada por participar da vida pública, não é apenas ela que está sendo atingida. É a própria democracia que está sendo ferida.

E a resposta para isso não pode ser o silêncio.

De nossa parte, a resposta continuará sendo a coragem.

Dra. Natasha Slhessarenko é médica pediatra e patologista, servidora pública e empresária.



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