O eleitor e o avestruz vinte anos depois Cada voto consciente é forma de dizer que seguimos presentes e comprometidos
“Estamos em ano de eleições. A expectativa e o movimento acerca deste evento tomam conta do país, talvez um pouco camuflado pela copa do mundo. O fato é que este ano temos eleições gerais, ou seja, o povo brasileiro vai às urnas o dia 01 de outubro de 2006 para eleger Presidente da República, Senadores, Governadores, Deputados Estaduais e Federais. Não é pouca coisa. É simplesmente o futuro de nossa gente que vamos traçar.

Cada voto consciente é forma de dizer que seguimos presentes e comprometidos
O cenário é bastante peculiar: CPIs, mensalão, valerioduto, megaoperações desmantelando quadrilhas e destruindo verdadeiros propinodutos de forma tão recorrente, cujos personagens são os mesmos que se mostram verdadeiros paladinos da moral e da honestidade em época que antecede as eleições (...)
Ocorre que diante desse tão sórdido quadro, o comportamento de alguns eleitores é de rejeição quanto ao ato de votar, como forma de expressar sua indignação. (...) Essa é atitude típica do avestruz que nada vê, mesmo tendo sua visão perfeita e se vê, enfia sua cabeça na terra e se mantém alheio a tudo a seu redor. É a pior das atitudes. (...)
Você, que é eleitor e principalmente, que é jovem, jamais assuma a atitude do avestruz. VOTE. Ao contrário da indiferença e da omissão, temos que saber usar o voto. Ele é a única arma que nos resta. (...)
Devemos continuar nossa luta pelo Estado Democrático de Direito declarado na Constituição da República de 1988, comportando-nos como cidadãos conscientes e não como avestruzes. O voto é a nossa melhor arma.”
Neide Maria de Freitas Arantes é analista Judiciário do TRE-MT e Chefe de Cartório da 13ª Zona Eleitoral de Mato Grosso (matéria publicada na Folha do Médio Norte - Editorial, Barra do Bugres, 01 a 31 de maio de 2006, Política, p.2)
Vinte anos se passaram desde que estas palavras foram publicadas.
Ao relê-lo hoje, aos 67 anos, percebo que ainda continua bem atual.
Se naquela época, minha maior preocupação como servidora da Justiça Eleitoral, Chefe de Cartório, era despertar os jovens para a importância do voto, hoje, nas eleições gerais de 2026, já aposentada, mas totalmente ativa, meu olhar se dirige aos eleitores que chegaram aos 60, 70, 80 anos ou mais, reforçando a importância da participação dessas gerações nas escolhas coletivas.
Afinal, elas representam cerca de 23,6% do eleitorado brasileiro, segundo dados oficiais do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e carregam uma experiência que merece continuar presente na vida pública do país.
Envelhecer não significa deixar de participar das decisões coletivas. Ao contrário.
Enquanto tivermos voz, continuaremos tendo a oportunidade de participar da história. Cada voto consciente é uma forma de dizer que seguimos presentes, comprometidos e responsáveis pelo tempo em que vivemos.
E a mensagem que passei há vinte anos hoje ratifico e acrescento: a cidadania também não se aposenta.
Neide Maria de Freitas Arantes é escritora, palestrante, facilitadora de processos de transição e pós-graduanda em Gerontologia.

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